Aqui em casa não temos faxineira e eu confesso que acho realmente muito chato ter que varrer a casa, passar pano no chão, arrumar a cama, limpar banheiro e lavar as roupas sujas. Sempre encarei essas atividades como um mal necessário, afinal, poucas pessoas que conheço gostariam de morar em um lugar cheio de sujeira e cheirando mal, além do inconveniente de não ter à sua disposição aquela roupa perfeita para a ocasião limpa quando desejamos. Mas eu nunca tinha visto essas coisas como um ensinamento do Senhor até pouco tempo atrás.
Claro que não recomendo que se livrem de suas domésticas (tão importantes quanto qualquer outro funcionário de uma casa ou empresa) mas creio que essa experiência pela qual estou passando é uma oportunidade do Senhor para me ensinar a repensar algumas coisas.
Até os vinte anos, morei com a minha mãe e por isso (e porque ela quase sempre teve alguém ao seu lado fazendo estas coisas e quando não teve encarou sozinha as tarefas domésticas) eu nunca fiz nada, inclusive nem aprendi a cozinhar. Quando casei-me, fui morar em uma casa em que não era exatamente necessário fazer esse tipo de coisa (eu acabava dando outros tipos de contribuição e às vezes não contribuía mesmo) e depois outras pessoas assumiram essa tarefa por mim. Só há um ano é que de fato tive que encarar que a casa é minha e que eu tenho que cuidar dela (e aí descobri que o trabalho doméstico é algo que beira o frustrante porque nunca, ou quase nunca, termina).
No começo, eu reclamava comigo mesma porque achava uma tarefa chata. Depois, comecei a pensar que talvez fosse um novo desafio, afinal, era algo que eu definitivamente não sabia fazer e que eu me julgava incapaz de fazê-lo razoavelmente algum dia.
Há uns três anos, quando de fato fiquei sozinha com a responsabilidade de cuidar de tudo pela primeira vez, fui ver como é que os que cuidavam da casa faziam isso e resolvi então abrir o armário da cozinha para fazer uma lista de supermercado. Fiquei em choque! Metade das coisas que estavam ali estavam estragadas e uma parte considerável eu nem gostava de comer e nem queria que estivessem ali. Passei então para a geladeira e o processo continuou. Como quase não sinto cheiro, não percebi que haviam coisas estragadas por lá, já inclusive cheirando mal e que ficaram porque não notei. Joguei montes de coisas fora, limpei o armário e a geladeira e me prometi que não deixaria mais aquilo acontecer.
Passei então a fazer pequenos reparos na casa: trocar tomadas e lâmpadas, ajustar parafusos e fechos de janelas e coisas afins. Nada contra os profissionais do ramo mas, se eletricistas e zeladores conseguem dar conta do recado, eu também podia (e de fato posso mesmo... aliás, qualquer um praticamente pode com um pouco de disposição e as ferramentas adequadas).
Depois, comecei a pensar que era uma dádiva dos céus ter saúde para limpar a casa. Eu que sempre havia dito que nunca ia lavar um banheiro até o dia em que não tivesse opção, de repente, encarava o fato de que esse dia havia chegado. Aos poucos fui percebendo que eu tinha a oportunidade de cuidar da casa alugada e pequena da qual eu morria de vontade de mudar para valorizar mesmo as pequenas coisas: embora não quisesse ficar aqui, era o lugar que o Senhor me concedeu estar e me proporcionava abrigo, aconchego e segurança.
No final do ano, cismei de aprender a cozinhar. Confesso que não tenho disposição ainda de aprender a fazer arroz (nem gosto de comer arroz na verdade) mas tenho curtido muito tentar outras coisas, mesmo quando não saem assim tão bem.
Arrumei um sofá usado que coloquei uma capa bonita (o anterior joguei fora porque o meu cachorro literalmente comeu inteiro), ganhei plantinhas (que inacreditavelmente estão resistindo há mais de dois meses), coloquei quadros na parede, uma nova luminária na sala e passei a arrumar armários.
Hoje, ao acordar, olhei para a minha casa novamente e tive uma nova visão de tudo. Embora seja precioso poder delegar a alguém a arrumação da sua casa (e às vezes a coisa está tão feia que é necessário pedir ajuda especializada), certas coisas devem ser feitas por nós mesmos.
Hoje entendi que a minha casa é apenas uma metáfora que Deus permitiu para que eu refletisse sobre a minha própria vida... não tem jeito: por mais que possa contar com pastores, amigos e parentes, a responsabilidade de cuidar da minha vida, arrumar a "minha casa" (ou no caso o templo do Senhor) e manter tudo habitável e agradável para que o Espírito Santo se sinta confortável é minha mesmo, e essa é indelegável...
Glória a Deus porque Ele, em sua infinita misericórdia, nos capacita a prosseguir e, quando a coisa está feia demais, manda aquela mãozinha especial, principalmente através daqueles que nos cercam.
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