sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Inadequado?

Hoje passei o dia no Rio de Janeiro à trabalho e, ao final, do dia, fui para o hotel. Amei o lugar: estou hospedada no antigo Meridien (atual Windson Atlântica) e o hotel é sensacional. Confesso que tive até vergonha de perguntar quanto custa a diária no quarto em que estou, onde é oferecido ao hóspede uma TV de 40 polegadas com diversos canais à cabo (pena que eu não assisto então não faz diferença...), um banheiro com um chuveiro que parece delicioso, um secador de cabelos moderno, um frigobar com a porta transparente (nunca tinha visto antes mas achei bem perspicaz a estratégia de expor para vender) e uma janela com a vista da praia de Copacabana. Uma benção total!

Como cheguei de noite mas ainda não estava escuro, liguei para os meus amados em minha terra natal para contar a benção e depois de experimentar o roupão e a pantufa do hotel (uma delícia) nos meus pezinhos pouco acostumados com os saltos altos ultimamente, decidi dar uma volta na praia e comer algo.

Estou quase completamente sem voz e não sei bem porque, mas isso não importa. Importante é que o Senhor iluminou o dia de hoje e aparentemente (e pela fé creio nisso) as coisas estão andando bem.

Sendo assim, resolvi dar uma volta e parei em um dos diversos restaurantes na calçada oposta ao calçadão da praia para comer e beber algo. Encontrei um lugarzinho do lado de uma praça no caminho do Copacabana Palace e achei bem bacana, além do mais, quando perguntei sobre o menu, o garçom foi bastante simpático e resolvi sentar ali mesmo. Pedi o que achei mais interessante e comecei a apreciar o lugar. Era cerca de 20 horas e começou a escurecer.

Quando a noite caiu, percebi que algo mudou no lugar em que eu estava... notei que diversas moças com trajes diminutos começaram a sentar nas mesas e banquetas do bar do local sem pedir absolutamente nada e, em poucos minutos, percebi que eram "moças da vida".

Podem rir, mas eu nunca tinha visto algo assim antes... tudo bem, não sou a pessoa mais pura do mundo, mas sinceramente nunca tinha presenciado algo assim. E para a minha surpresa, quando estava no meu cantinho ali, notei que na bancada do meu lado (próximo mesmo) sentou-se um rapaz de costas para mim olhando a "paisagem". Logo em seguida, sentou-se uma moça ao lado dele e puxou papo. Claro, eu, muito curiosa (e perto o suficiente para ouvir sem esforço) comecei a acompanhar a conversa.

De início, a moça, com uma camiseta tomara-que-caia verde começou a perguntar de onde o moço era e ele respondeu em espanhol algo que ela não entendeu e eu não ouvi direito, mas fez com que ela ficasse aliviada por não ser inglês (que acredito que ela de verdade não sabia falar, afinal, nem o espanhol ela arranhava). Em seguida, ela contou que está no Rio há uns seis meses, que trabalhou em uma lanchonete por um tempo e perguntou da família dele.

Sinceramente, na minha inexperiência, tive algumas impressões: 

1) Nunca nem considerei assumir uma profissão como essa, mas certamente seria muito mais envolvente do que ela;
2) Ela ria muito e, pelo que eu percebi, o moço não achou isso exatamente "simpático";
3) Eu não entendi como eu, que nunca fiz nada parecido, sentia que ela não era tão profissional e preparada assim

Mesmo assim, acompanhei a barganha do preço e do período até o ponto em que cheguei à conclusão de que a curiosidade era menor do que a tristeza por aquela alma.

Fiquei sinceramente confusa com a abordagem da moça, confesso, mas depois, pensando, considerei o seguinte:

- mesmo os homens mais pervertidos tem o desejo de se sentirem humanos e o discurso dela dá a sensação para o homem de conquista;
- a risada dela era um misto de tentativa de ser simpática e nervosismo, o que para uma profissional eu achei estranho, mas depois, ouvindo a história dela, entendi que ela é novata e talvez (ou muito provavelmente) faz isso por entender que é um caminho mais fácil de ter dinheiro (por sinal, ela ganha por hora o que eu ganho por dia, e olha que fiz uma pesquisa e descobri que o que ela cobrou não é tanto assim)

No fim (e foi o que me fez ir embora do lugar) fiquei com pena e vergonha... pena da situação, pena do fato da moça achar que esse é um bom modo de ganhar dinheiro (e embora tentador considerando o esforço versus o ganho acho um tanto humilhante), pena do fato do moço (que pelo que ele falou tem quarenta anos, embora não pareça) pensar que essa é uma forma honesta e legítima de conseguir prazer físico mas ainda barganhava o custo final do "serviço" e pena que outras moças estivessem ali na mesma situação.

Olhando bem, vi que eu era a única mulher sozinha no local, e notei que nunca seria abordada porque não estava com roupas curtas e estava consumindo. Vi ainda que as moças (algumas não tão moças assim) não estavam tão em forma e não se vestem tão bem assim. Além do mais, uma delas (bem mocinha) estava vestida de modo bastante vulgar, o suficiente para se destacar e não ser considerada pelo público local. Senti uma tristeza e uma confusão porque, além de não saber como reagir, até entendo porque alguém faz opção por uma vida dessas, mas não consigo imaginar como suportaria algo assim.

Fiquei com vergonha porque sinceramente achei que, se abordasse a moça ou o rapaz, apanharia (literalmente) e não teria nenhum espaço para falar de amor de Deus... pois é, Senhor... perdoa a minha falta de fé. Afinal, a Tua palavra diz que tudo é possível ao que crê... então, certamente eu não cri no Teu poder de transformar a desgraça (ou ausência de graça, neste caso, tanto faz) em graça e benção e deixei que a minha curiosidade humana mórbida dominasse o espaço que deveria ser dedicado à oração por aqueles corações perdidos: o da moça, o do moço e os das demais "mulheres da vida" que, no fundo, estão ali para "ganhar a vida" sem saber que, de verdade, estão mesmo é perdendo-a.

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