quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dar: o que não tem valor ou o que não tem preço???

Vejo muitas campanhas por aí incentivando as pessoas a doarem aquilo que não usam mais. É claro que isso é ótimo por diversos motivos:

- ajuda aos que recebem a doação que, em outras condições, não teria acesso ao bem material;
- libera espaço nos armários de quem doou;
- dá uma desculpa para a pessoa que doa consumir algo novo (e assim movimentar o comércio)

Por outro lado, entendo que, embora soe um tanto cristão, tenho dúvidas se isso não é apenas um aspecto da cidadania.

Digo isso porque dar o que não tem mais valor para a gente (como uma roupa já bastante usada mas que não serve mais ou que simplesmente saiu de moda e portanto não vamos mais vestir) é útil para quem recebe mas, qual é a lição que fica para quem dá?

Lembro-me da passagem da viúva que, tendo apenas algumas moedinhas, deposita tudo o que tem no altar (Marcos 12:41-44): "E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.
E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;
Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento."

E aí, no fim, Jesus afirma que a oferta da mulher teve muito mais valor; isso porque, para ela, o que ela entregava, não tinha preço, afinal, era tudo o que ela tinha.

Eu vejo que, quando tenho que dar algo, não tenho dificuldades... bom, pensando bem, depende do que eu tenho que dar: se for um bem material (principalmente dos que caem na categoria dos "usados" ou dos "já enjoei" ou ainda dos "puxa, que oportunidade de comprar um novo!") eu entrego fácil. Agora, se eu precisar dar o meu tempo, abrir mão do meu conforto em prol do outro, dar os meus ouvidos para escutar rigorosamente a mesma ladainha que já ouvi truzilhões de vezes ou ainda deixar de dormir para fazer algo que agrade o outro mas que eu particularmente não esteja tão a fim assim... isso é complicado mesmo!

Por outro lado, vejo que tem pessoas que não tem problema em "gastar" tempo com coisas ou pessoas desde que não custe dinheiro ou desde que isso não as desagrade. Outras não se incomodam em dar desde que o retorno seja considerado maior do que a "perda".

Chego à seguinte conclusão: dar o que não tem valor é humano, mas dar o que não tem preço, só quando nos permitimos sermos canais do grande amor que o Senhor é. Por nós mesmos, é praticamente impossível desapegar-nos daquilo que nos é caro em prol de outro (especialmente quando é um desconhecido ou um conhecido daqueles bem desagradáveis).

Senhor, ajuda-me! Não sei como mudar essa realidade em minha vida. Não sei como fazer diferente, mas sei que dessa forma não Te agrado (que é o desejo mais nobre que guardo dentro de mim). Tira do meu coração aquilo que não Te pertence e preenche-o com o Teu amor, que é o mais puro e verdadeiro conteúdo que o meu coraçãozinho falho pode receber.

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