Hoje aprendi que o abraço de um urso pode matar. Na verdade, imagino que isso seja possível simplesmente porque o urso é tão grande e tão forte que, mesmo querendo ser delicado, ele pode esmagar o ser que está em seus braços.
Davi enfrentou, antes de Golias, um leão e um urso. Acredito que no caso dele o urso não estava muito disposto provavelmente a abraçá-lo mas, por conta da história, surgiu essa informação sobre o abraço do urso.
Curiosamente, dentro de mim, a imagem que um urso me passa é de conforto e aconchego. Não sei se é porque associo o urso aos bichinhos de pelúcia da infância (que quando eu era pequena eram quase que na totalidade ursos) ou porque, sendo eu tão pequena e o urso tão grande (e portanto me parecendo tão forte, poderoso e quentinho, por que não?), ele me passa a sensação de proteção. Por causa disso, nunca tive medo do abraço de um urso.
Quando eu ouvi essa história sobre o abraço do urso, imediatamente lembrei-me de alguns homens que conheci que, por serem bastante peludos, são (ou foram) comparados a ursos. Pensei também na proteção que uma mulher sente quando é envolvida em um abraço masculino, especialmente quando estes braços são do homem amado.
Claro que nunca encontrei um urso face a face, a não ser no zoológico, mas não conta porque ele estava enjaulado, completamente sob controle, o que é bem diferente de quando o encontramos na natureza, em seu habitat natural, onde ele tem o domínio.
Só que lembrei-me de uma ocasião em que eu estive frente a frente com dois ursos. O primeiro urso era uma situação que, como os bichinhos de pelúcia para as crianças (acho que especialmente para meninas), era o grande companheiro, o abraço preferido, o confidente, o apoio e claro, a melhor companhia. Só que, por enxergar este urso assim, ele se tornou maior na minha vida do que Deus. Eu permiti que ele tivesse mais espaço na minha vida do que Jesus. E o abraço desse urso, mesmo sem querer, e mesmo sem que eu quisesse, quase me matou. O Senhor, em sua misericórdia, abruptamente encerrou a situação e abriu os braços do urso (que sei que também gostava de me abraçar) e tirou-me dali para uma vida plena em Cristo.
O segundo urso era uma situação que assemelhava-se com alegria e descanso. Na televisão (pelo menos na minha memória) o urso é retratado em desenhos animados como o amigo bonachão (sei lá, talvez eu tenha ficado com essa imagem por causa do Zé Colméia) e essa era a situação: o bonachão que nos alegra e nos ajuda a divertir-nos, trazendo descanso. Só que, como nada disso era obtido na presença de Jesus, o vinho não era feito de uma uva da Videira Verdadeira e, em pouco tempo, tornou-se vinagre e, se eu continuasse a bebê-lo, morreria de sede, mesmo com a barriga encharcada. Então, o Senhor, em Sua grande misericórdia, libertou-me novamente do abraço desse urso que, disfarçado de Zé Colméia, estava me liderando para uma vida de aparências e diversão fugaz ao invés da alegria do Senhor.
Eu sei que Davi precisou passar por um urso e por um leão para estar preparado para a batalha com Golias, que na verdade, era uma luta pelos interesses não só dele mas de todo um povo, e principalmente pela defesa do nome do Senhor de Israel.
Eu sei também que, como não fui tão esperta quanto Davi, tentei lutar com dois ursos e creio que em ambas as lutas eu me saí mal: na primeira porque, se tivesse vencido, não teria vindo a segunda... na outra, porque eu não saí porque quis exatamente embora dentro de mim o tempo todo em que eu abraçava o urso eu tinha algo dentro de mim que me mostrava que eu não deveria estar ali e eu, usufruindo da auto-suficiência que sempre tive (e que Deus tem começado a transformar em dependência Dele e interdependência com outras pessoas Dele), insisti em ficar mais um pouquinho porque no fim, eu transformaria o urso em um cachorrinho. Ledo engano!
Não sei dizer se outro urso se apresentará na minha vida mas uma coisa é certa: o Senhor está me fortalecendo e eu creio que Ele, que é o Deus de segundas chances (bom, neste caso não sei quantas já foram porque, pensando melhor no assunto, acabei de me lembrar de mais um urso antes dos outros dois que mencionei), não permitirá que eu pereça se eu permanecer querendo estar mais perto Dele.
Então, Senhor, prepara-me para que, se possível, essa próxima luta com o urso que virá (se ele vier) seja a definitiva. Eu quero crescer, evoluir, seguir adiante e ser fortalecida por Ele para enfrentar o meu Golias.
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