Observação inicial: isto não é uma homenagem ao cantor Renato Russo que, se estivesse vivo, completaria 52 anos de idade hoje. De qualquer forma, o título deste texto acaba usando uma expressão que nomeou uma de suas várias músicas bem escritas e, meio que por acaso, serve para expressar um pouco do que vem a seguir.
Hoje de manhã eu vi um post em uma rede social que dizia basicamente o seguinte: "antes as meninas cozinhavam como suas mães... agora, elas bebem como seus pais".
Alguns dias atrás eu vi uma reportagem em que um estudo aponta que mulheres com mais educação bebem muito mais do que mulheres com pouco acesso a educação formal e, ao contrário dos homens, em que a educação é um freio para o caminho do alcoolismo (na maioria dos casos), para as mulheres, a ascensão educacional e acadêmica é mais um incentivo à dependência do álcool.
Antes de prosseguir, quero deixar claríssimo que eu, em nenhum momento, sou contra o acesso da mulher à educação. Pelo contrário, sou mulher e devo muito do que tenho e sou ao acesso que tive à educação formal e às oportunidades que tive no mundo acadêmico e, por sinal, fico ansiosa pelo momento de voltar a estudar mais um pouco porque tenho certeza de que nunca sabemos o suficiente. Tanto que eu faço questão que a minha filha tenha uma educação adequada (ou pelo menos, que eu considero adequada e que eu posso oferecer a ela) e insisto para que ela tenha acesso à informação e instrumentos de qualidade para incentivar esse lado da vida dela.
Só que, ao ver esse tipo de coisa, fica muito evidente para mim que cada vez mais não estamos dando conta de tudo o que temos a fazer. Pior, não damos mais conta de ser o que nos é exigido e aí, por falta de amor, compreensão e apoio (às vezes de homens, às vezes de outras mulheres, ou às vezes de nós mesmas)
acabamos achando que o álcool pode ser uma boa saída.
Então, mas o álcool não é mais do que uma distração para um problema que não está nos outros e não está na pressão que a sociedade faz em nós. O maior problema mesmo é como lidamos com tudo o que nos é exigido ou esperado.
Por sinal, o que é mesmo que é o esperado de nós? Espera-se que sejamos mulheres bonitas, arrumadas, sempre com o corpo perfeito, com aparência mais jovem do que a nossa idade real, bem dispostas em relação ao sexo oposto, delicadas, educadas, simpáticas, gentis, sorridentes mas não escandalosas, prudentes mas nem caladas e nem "matracas"... Espera-se ainda que sejamos mães dedicadas, mulheres sábias, amantes fogosas, boas donas-de-casa, cozinheiras exemplares, profissionais de sucesso... meu Deus, quanta coisa! Para mim é coisa demais...
Mas, espera um pouquinho... quem é que espera isso de nós? Quem é que espera que sejamos perfeitas? Quem é que colocou essa culpa em nossas vidas por não sermos aquilo que "a sociedade" espera? Por sinal, quem é "a sociedade" mesmo?
Eu sei que devemos buscar ser sempre o melhor para todos os que estão à nossa volta e para nós mesmas, mas simplesmente não consigo ser tudo isso que é esperado. Só se eu fosse perfeita, o que definitivamente não sou.
A única esperança é trocar a minha força pela de Deus: Ele sim pode todas as coisas. Por outro lado, mesmo sendo perfeito e podendo todas as coisas, Ele é amor e sabe que eu não posso ser tudo isso assim, sozinha. Então, Ele me ampara, me ajuda, e me guia para que eu seja cada dia melhor, cada dia mais preparada para viver (e não só sobreviver) nesse mundo cruel. Ele me liberta dos conceitos que os outros tem para mim e me dá as idéias e sonhos que Ele tem. Ele me liberta da cobrança que a sociedade faz em relação aos diversos papéis que devo desempenhar e me dá uma responsabilidade única: amar. Não que amar seja simples, mas é seguindo o exemplo de Seu filho que isso é possível. E se, tentando acertar, eu errar, Ele não me condena: Ele me perdoa, me entende e me ajuda a prosseguir. E se eu errar mesmo (naqueles momentos em que eu tenho como todo mundo os meus ataques de egoísmo) Ele me toca o coração, me mostra que não fiz a melhor escolha nem para mim e nem para os outros e aceita o meu arrependimento e me levantar, ajudando-me a recomeçar.
Glória a Deus por Cristo! Sem Ele, simplesmente eu sucumbiria a este teatro dos vampiros em que temos que atuar diariamente.
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