sexta-feira, 16 de março de 2012

"Vida: como vocês quiserem..."

Acabei de ler "O livro mais mal-humorado da Bíblia" do pastor Ed Renê Kivitz. Eu confesso que nunca tinha lido praticamente nada do livro de Eclesiastes, exatamente por encará-lo como um livro bem pessimista, muito derrotista e até, em certo ponto, pecaminoso. Puro preconceito! Na verdade, é o livro que provavelmente me identifico mais na Bíblia e que mais me surpreendeu (embora eu tenha um desejo ardente de ler e compreender o livro de Atos).

Enfim, descobri que de nada vale saber muito e não praticar nada. É isso mesmo: teoria é uma coisa linda, mas a prática é bem diferente... é diferente mesmo? Por que? Não deveria ser igual? Por que insistimos em pensar uma coisa e agir como se não tivéssemos pensado algo completamente diferente? Somos seres curiosos, estranhos até...

Uma das coisas que amei no livro foi que ele comenta sobre a passagem da vida e sobre como aproveitá-la. Aliás, independente de como decidimos aproveitá-la, devemos definitivamente aproveitá-la. Portanto, decido hoje "morrer vivendo" do que "viver morrendo"... a impressão é que uma coisa é muito parecida com a outra, mas na verdade, elas são completamente opostas: "morrer vivendo" é viver até o último segundo, é jogar-se de cabeça, é apaixonar-se e deixar que se apaixonem, é sofrer e levantar, é sorrir e saber que o sorriso, assim como o choro, é passageiro, então o momento deve ser curtido até a última gota.... por outro lado, "viver morrendo" é levantar de manhã sem saber o porque, sair para fazer algo que detesta (aliás, só coisas que detesta) sem perspectiva de mudar esse quadro e pior, sem saber ao certo se tem alternativa porque, ao invés de encarar a reflexão sobre como aproveitar a vida (ao menos um pouquinho, afinal, ser um "bon vivant" é para poucos) é mais fácil passar os dias reclamando e, quando se menos espera, a reclamação cessa porque você morreu e nem percebeu que, na verdade, já não vivia há tempos.

Outra coisa que amei foi que li que a vida deve ser vivida sempre da melhor maneira, mas devemos nos lembrar que tudo o que fizermos passará pelo julgamento de Deus (então, não podemos sair por aí "pirando" e fazendo "o que der na telha" impunemente). Eu confesso que achei perfeito!

Mais uma coisa que eu aprendi: a natureza é uma constância incontrolável... isso porque não vamos controlar a chuva, ou os mares e embora Jesus o tenha feito, era uma situação bem específica e, por sinal, era um milagre. Aliás, milagres são possíveis porque existe um mundo com regras constantes. Milagre é a excessão à regra e não a regra. As regras (como as leis da natureza) são rígidas e estão definidas e são incontroláveis pelos seres humanos mas, o nosso Deus, que é Poder, rege essas regras e, eventualmente, pode mudá-las para cumprir um propósito maior do que aquele que enxergamos de imediato. Isso me trouxe um enorme alívio porque eu não vivo buscando só milagres, nem penso que devemos viver à espera de um (ou vários milagres) apenas: creio que devemos viver e buscar a satisfação com as regras que foram impostas a nós (até para nos proteger de nós mesmos) e, eventualmente, saber que Deus pode dar "uma mãozona" (sim, imagino que a mão Dele seja gigantesca) e provocar um milagre.

Mais uma coisa que aprendi (e que foi o maior alívio que recebi) foi que, ao orar por alguém, especialmente um idoso, quando formos orar por cura, devemos perguntar sobre o que a pessoa quer que oremos. Sim, nem todo mundo, inacreditavelmente, quer ser curado e nós não temos o direito de orar contra a vontade daquela pessoa. Isso muda muita coisa para mim porque sempre aprendi que devemos orar repreendendo a doença (particularmente tenho várias reservas sobre o assunto, não porque não concordo com repreender, mas em primeiro lugar acho que deveríamos entender qual é a oração certa a se fazer naquele momento e acho que muitas vezes essa não é a oração a se fazer) e agora sei que não preciso fazer isso sempre: devo primeiro conversar com a pessoa, perguntar sobre o que ela quer que eu ore, o que ela precisa do Senhor, e aí eu oro pedindo a Deus que faça o que for da vontade daquela pessoa mas que, se o que ela pede não for da vontade Dele, que Ele alinhe o desejo dela com o Seu porque a vontade Dele é boa, perfeita e agradável.

E por último, ficou a lição (ou a missão, não sei): pedir a Deus sabedoria para aproveitar tudo aquilo que Ele criou com responsabilidade, assumindo minhas responsabilidades e dividindo a alegria de viver com os que me rodeiam, abrindo mão do estilo de vida ranzinza que muitos cristãos acham que devem ter para serem verdadeiramente um cristão.

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