segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ou lidando com a tentação... e acertando dessa vez?


Pensando ainda nas marcas que deixamos e na tentação que nos assola diariamente, lembrei-me de algo que vivi há tempos atrás: eu já tinha voltado para os caminhos do Senhor mas ainda não tinha muita clareza sobre algumas questões e pensava então que determinadas orientações eram leis que não faziam sentido. Embora hoje eu entenda que essas orientações são mesmo linhas mestras de como seguirmos no caminho do menor dano para nós e para os que nos rodeiam (ou seja, um caminho de amor), eu realmente me achava, como diz a minha mãe, "mais real do que o rei".


Independente de ter atitudes que iam ao encontro da Palavra do Senhor ou de encontro a ela, eu nunca fiz questão de esconder ou mentir sobre o que penso e o que sinto e, toda vez que alguém vinha me perguntar sobre o assunto, eu dizia como agia e colocava os meus motivos. Isso chocava bastante as pessoas e fazia com que elas me olhassem de um jeito curioso: algumas simplesmente me julgavam por eu não estar no caminho certo, outras sentiam pena de mim por conta do engano que vivia e algumas simplesmente decidiram me resgatar dando-me trechos da Bíblia para refletir ou ainda dando "puxões de orelha" mesmo.


Um dia (eu só soube disso muito depois do ocorrido) uma querida minha disse que se indignou com aquela vida que eu levava e separou diversos trechos da Bíblia para me convencer de que eu tinha que mudar aquela situação porque ela estava simplesmente errada. Ela separou cada trecho baseada em Hebreus 4:12 que diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." esperando que, com isso, uma luz se acendesse imediatamente em minha mente e no meu coração e eu portanto tomasse uma atitude diferente ali.


Confiante, ela começou a orar para que Deus preparasse a oportunidade para conversarmos porque ali ela daria todos os argumentos que eu precisava e provocaria o efeito que ela esperava. Só que Deus, ao invés de criar a oportunidade, disse a ela que não tinha pedido a ela que fizesse nada e que, se ela fizesse, mesmo que fosse com a Palavra, seria apenas a força dela agindo e não a vontade Dele se cumprindo ali; ou seja, ela não teria fé, ela seria apenas legalista e não cristã. Claro que uma crise se instalou mas ela obedeceu e não falou nada, apenas continuou orando para que Deus intervisse então com Sua santa mão.


Aos poucos, eu fui considerando a possibilidade de realmente estar errada mas, mesmo pensando assim, ainda não conseguia me liberar da vida que levava porque a convicção não era tão grande e o medo de abraçar uma vida diferente era maior. Ou seja, brotou uma luz mas ela não tinha provocado nenhuma reação prática ainda.


Só que, em um determinado dia, quando fomos participar da Santa Ceia na igreja, uma querida se aproximou e disse-me que eu não deveria participar porque, da forma como estava agindo, aquela celebração era apenas condenação para mim e não a renovação da minha aliança com o Senhor. Naquele momento eu parei, pensei sobre o assunto e cheguei à seguinte conclusão: ok, eu estava errada mas de verdade não tinha forças para mudar e nem mesmo sabia como fazê-lo. Então orei a Deus explicando exatamente isso: pedi perdão e coloquei a Deus a minha limitação, deixando claro que gostaria de me livrar dela mas que não tinha forças para fazê-lo e celebrei a Santa Ceia como parte da renovação da nossa aliança e como ato de fé de que o Senhor age no impossível, consertando aquilo que não podemos consertar.


Depois de um tempo, eu já não conseguia levar a mesma vida e percebi que Deus foi me dando uma convicção diferente e uma força de onde eu menos esperava e isso foi crescendo. Em um dado momento, a minha velha vida não tinha mais sentido e eu já tinha sede de abandoná-la e foi isso que eu fiz.


Considerando tudo isso, vejo que na verdade, mesmo tendo a certeza no meu coração de que o que eu sei em relação ao amor de Cristo e como não devemos julgar os outros (aliás, eu mesma julguei aos irmãos que se expressaram naquele dia e portanto errei), eu não tenho a licença de dizer isso de qualquer jeito ou em qualquer momento e, na verdade, nem sei se tenho mesmo essa licença de dizer isso. O que tenho é a obrigação de orar para que o Senhor mostre nos corações dos que me rodeiam que essa vida não é a melhor para nós; a minha parte não é gritar para o mundo que eu tenho razão... é orar para que o Senhor mostre com o Seu infinito amor o engano que as pessoas vivem. De fato, agradeço por não ter caído na tentação (como achei que tinha caído) e principalmente porque sei que, se tivesse caído, além de entristecer as pessoas à minha volta, eu teria entristecido a Deus que certamente espera mais de mim, já que tem me dado tanto mesmo sem eu pedir.


A conclusão então é a mesma: devo falar sobre o assunto sim, mas não com palavras e sim com atitudes. As minhas palavras são rudes e o meu tom de voz agressivo e fácil de condenar. As minhas atitudes, por sua vez, sendo realmente fruto do amor de Cristo podem produzir sem mágoas uma mudança nos que me rodeiam ao invés de provocar mágoa, isolamento e solidão.

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