quinta-feira, 5 de julho de 2012
Eu coloco bolas amarelas no vidro do carro de alguém?
Aí, pensando no que me aconteceu, parei e pensei o seguinte: será que de vez em quando, mesmo sem querer, eu coloco bolas amarelas nos vidros traseiros dos carros de outras pessoas?
Sabe aquela pessoa que você apresenta para outra na maior inocência e, de repente, quando você vai ver, uma mudou a vida da outra para sempre? Isso já me aconteceu algumas vezes...
A primeira vez que me lembro disso ter acontecido foi na adolescência. Um dia, no caminho da ida a um acampamento, eu conheci uma menina que era gordinha mas era linda e apesar de ser um pouco insegura era mesmo muito carinhosa. Fizemos amizade rapidamente. Não sei bem porque ou como, em um dado momento, no ônibus, aproximou-se um monitor do acampamento, um rapaz alguns anos mais velho do que nós, para perguntar um negócio qualquer do qual eu não faço a mais remota ideia a esta altura da vida. Ele veio, perguntou e eu me apresentei a ele e apresentei-o a ela e eles começaram a conversar. Foi bem assim, meio que do nada, que eles se conheceram. Tempos depois começaram a namorar, casaram-se e tiveram um filho. Hoje não estão mais juntos mas ainda são amigos pelo que sei e cultivam uma relação bonita de se ver.
Em outros momentos sei que fiz isso mas talvez as histórias não sejam tão emocionantes assim com exceção de uma: em um momento de calmaria no trabalho (para não falar de completo tédio) eu acabei recebendo a incumbência de "tutoriar" alguém por um período. A ideia era que eu passasse o meu conhecimento para esse rapaz e ele se tornasse especialista como eu no produto que atendemos. Interessante que eu já tinha pedido para que me enviassem esse profissional por duas vezes e nada aconteceu. Na terceira vez em que pedi por alguém, não pedi por ele: pedi por um outro colega que poderia me ensinar algumas coisas e eu poderia ensiná-lo outras e assim pensava eu que seria mais proveitoso. E de repente, vem ele.
A história é longa mas, encurtando, ele ficou por ali por uma semana mas eu percebi em cerca de trinta minutos de conversa que vinha muito mais a seguir do que eu realmente via ali. Sabia que o Senhor tinha muito mais frutos daquele encontro do que uma simples semana de troca de informações.
Ele me surpreendeu diversas vezes e eu pude passar conhecimento e questioná-lo várias vezes mas de modo que ele nunca esperou na vida e, de repente, depois de um dia de trabalho apenas, notei que tivemos uma identificação imediata. Depois de uma semana, quando eu soube que ele iria embora dali e da empresa, chorei... não pelo meu "trabalho perdido" mas porque eu realmente vi que estávamos perdendo um potencial. Honestamente, chorei por um motivo mais egoísta ainda: eu ia sentir uma falta gigantesca dele. E eu senti mesmo...
Nos tornamos amigos e fizemos vários acordos. Entramos na vida um do outro e quando menos esperávamos, estávamos tão próximos que percebemos que seria difícil tirar o outro do coração. E nos apaixonamos...
Hoje eu vi que eu tinha pedido uma bola amarela no meu vidro traseiro e quando eu pedi, não me mandaram. Quando eu não queria mais, colocaram uma bola amarela no vidro e ela ficou rolando e rolando... só que ela saiu de lá e resolveu tomar conta do meu carro e seguir viagem comigo de modo bem inesperado.
Por outro lado, eu me coloquei naquela vida como uma bola (bom, como sou morena, posso dizer que sou uma bola pretinha) e também causei uma revolução danada no carro do moço. Até hoje falar de mim para pessoas próximas a ele causa reações das mais acaloradas e eu confesso que ora isso me incomoda, ora isso me diverte.
Concluo então que eu também coloco bolas amarelas nos tampos dos porta-malas de outras pessoas e mesmo sem a menor intenção de atrapalhar, eu acabo mudando o rumo das vidas delas, seja melhorando, seja atrapalhando mesmo.
Como colocadora de bolas amarelas nas vidas de outrem, peço uma coisa só a Deus: que me permita saber que fui usada pelo Senhor para colocá-las no momento e no lugar certo nos carros das vidas dos que me rodeiam e que, mesmo causando consequências aparentemente drásticas, que eu seja instrumento de tomada de decisão nas vidas das pessoas que precisam quebrar suas rotinas e mudar os seus rumos e ajustar a direção para seguir ao encontro de Cristo.
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