Na semana passada recebi uma carta (na verdade recebi mesmo foi um e-mail porque a tal da carta que eles disseram que iam mandar que é bom nada até agora) da imobiliária que aluga o apartamento em que moro dizendo que o meu aluguel está defasado e que o proprietário quer que o valor seja reajustado em quase 65% do valor atual.
Como eu vi o e-mail a caminho do cemitério, eu achei que era muita coisa para lidar em um dia só e deixei para o dia seguinte (sim, eu sei, eu prometi não procrastinar mas realmente naquele dia eu tomaria a decisão errada por conta do calor da emoção do momento) para olhar com calma o assunto.
No dia seguinte, conforme prometido, eu comecei a olhar opções: um apartamento igual ao meu aqui no prédio que o proprietário está pedindo o mesmo valor do que o proprietário deste pede agora só que todo reformado e com uma vaga de garagem... pensei e pedi um acordo (que por sinal não veio resposta). Pensei então em sugerir um acordo para o proprietário atual mas comecei a fazer contas e cheguei a conclusão de que talvez não valesse a pena, considerando o preço mínimo que ele me faria. Então, restava-me entregar o apartamento em questão e mudar.
Bom, mudar de casa é sempre uma loucura, a começar por encontrar o lugar para morar. Achar um lugar aqui no bairro mais barato é virtualmente impossível, já que o pedaço ficou muito valorizado nos últimos anos e o valor que eu pago realmente é baixo em comparação com outros. Por outro lado, estamos no meio do ano e mudar de bairro agora significaria mudar a minha filha de escola, o que é um parto de ouriços por si só: adaptação em uma nova escola, uniforme novo, material todinho do ano na volta às aulas, enfim... complicadíssimo (fora a própria seleção da escola que é um processo todo especial também). O que fazer então?
Foi quando me lembrei que há um tempo atrás, por volta de um ano, eu enfrentei alguns problemas com o diretor da minha área na época e ele ameaçou me demitir. Se isso acontecesse, eu simplesmente ficaria sem renda para sustentar a mim e à minha filha, o que significaria necessariamente morar com a minha mãe até reestabelecer-me financeiramente em um novo emprego. Agradeci a oferta da minha mãe mas não queria de jeito nenhum ter que lidar com essa opção porque mesmo tendo melhorado muito, a minha relação com a minha mãe nunca foi exemplo e definitivamente teríamos que enfrentar um monte de coisas que eu definitivamente não estava nem disposta e nem preparada para fazê-lo. Além do mais, no ano passado, a minha irmã adotiva ainda morava com a minha mãe, de modo que, para eu morar com ela, a minha irmã teria que voltar a morar com sua família de sangue.
Cabe neste ponto um parênteses: a minha irmã não é uma criança sem mãe. Ela é uma mulher mais velha do que eu que sempre foi muito amiga nossa e teve problemas sérios com sua própria mãe e saiu de casa. Inicialmente, ela pediu para que a minha mãe a abrigasse por dois meses... e nesses últimos doze anos permaneceu por aqui. Durante esse período muitas coisas mudaram: eu mudei, ela mudou, a minha mãe mudou e a mãe dela mudou e a relação de todas nós melhorou consideravelmente... e ela decidiu há uns vinte dias atrás voltar para a casa da mãe.
Só que, neste momento, quando pensei em como seria optar por morar com ela provisoriamente eu curiosamente senti paz no meu coração. Claro, continuo pensando que teremos que lidar com algumas coisinhas mas realmente fiquei tranquila e consegui ver isso como uma boa opção para nós no momento. A minha filha não gostou e chorou bastante por uns trinta minutos. Depois, conversamos, ela chorou mais e por fim parou de chorar e começou a lidar com tranquilidade com a perspectiva de morar de favor por um período na casa da avó.
Pois é... estou me mudando para a casa da minha mãe. Quando eu saí da primeira vez, saí grávida para casar e sem a autorização ou a concordância dela. Fiz isso e muita coisa deu errado, inclusive o casamento. Claro que as coisas deixaram de funcionar por vários motivos mas tenho certeza hoje que esse foi um deles. Na Bíblia na lista dos dez mandamentos temos um que é bem específico em relação a isto: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá." (Êxodo 20:12) e eu o descumpri quando saí de qualquer jeito da casa dela.
Agora, eu volto em concordância e com um objetivo específico. Volto provisoriamente mas para ter uma segunda chance de sair do modo correto. Volto com a chance de mostrar para mim mesma e para outros qual é a forma certa de lidar com tudo isso; bom, na verdade, volto para aprender a lidar com tudo isso porque agora, mais do que nunca, tenho expectadores, sendo a maior deles a minha própria filha, afinal, ela reproduzirá o que me vir fazendo com a minha própria mãe. Lembrei-me também do Tio Ben, o tio do Peter Parker (o Homem-Aranha) que disse uma vez a seu sobrinho: "com grandes poderes vem grandes responsabilidades". Mas eu completaria dizendo que com grandes poderes, se usados com a responsabilidade devida, vem grandes vitórias. E eu estou confiante de que é assim que vai acontecer tudo isso.
Por favor, orem por nós. Mais do que nunca precisaremos de apoio nesse sentido porque é um momento crucial para nós. É bem raro um filho que, depois de morar sozinho, volta a morar com os pais. Mais raro ainda quando esse filho não volta por falta de opção mas também tem claro que não quer ficar muito tempo ali. Mais raro de tudo é conseguir que esse filho conviva com seus pais de modo correto (principalmente tendo saído do jeito errado) e use a oportunidade de consertar e corrigir o que fez de errado no passado. Só Deus para mudar o coração de alguém a ponto de permitir que uma coisa dessas aconteça e seja benção na vida de todos os envolvidos. Então, conto sim com a oração de cada um de vocês para que ao final desse tempo tenhamos grandes bençãos para contar.
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