terça-feira, 28 de agosto de 2012

Descartáveis...


Infelizmente percebo que cada vez mais vivemos em uma época onde nada é feito para durar. Vivemos em uma sociedade em que as coisas ficam obsoletas cada vez mais rápido, tudo dura cada vez menos e as pessoas se relacionam de modo cada vez mais breve e superficial com tudo, inclusive com outros serem humanos.

Como comparação, vejo os carros novos que já são considerados obsoletos ou simplesmente velhos (ou considera-se que é aconselhável trocá-los) em apenas dois ou três anos. Imagine!!! Quando o meu pai era pequeno algumas pessoas (uma quantidade razoável) passaram a vida sem um automóvel próprio e quando eu era criança a gente passava dez ou quinze anos com o mesmo carro e isso era absolutamente normal, afinal, os carros eram considerados bens duráveis.

Um celular pode durar anos a fio para ser reciclado (quando é) mas conheço bastante gente que basta sair um modelo novo de um aparelho mais sofisticado que vai lá e compra um novo, deixando o antigo de lado. Sim, de lado porque não é capaz de doar o aparelho para alguém, mesmo que em bom estado, até porque as pessoas ficam com medo de magoar as outras ou ainda ficam cheias de orgulho de ganhar algo absolutamente funcional mas usado, afinal, parece que quem usa algo usado tem menos importância do que aqueles que usam o novo.

Particularmente eu não curto muito falar ao telefone e na verdade por duas vezes me deram ramal na empresa mas eu confesso que nem o uso e por um tempo considerável inclusive eu fiquei quieta quando perguntavam quem não tinha ramal simplesmente porque eu não queria um para chamar de meu. Mas, me relaciono com certa frequência com as pessoas por e-mail. Mas, de novo, isso não é exatamente uma relação que pode ser chamada de "humana". Sim, é uma evolução em relação à troca de cartas mas não se compara a um bom abraço ou uma risada em conjunto.

Antes um amigo era alguém que podia dizer-lhe o necessário e não apenas o agradável... hoje é mais fácil contar com a sinceridade dos que não gostam da gente porque estes não tem medo de nos magoar e tem a intenção de nos "descartar" e portanto falam o que pensam, ao passo que no passado as pessoas desconhecidas eram muito mais receosas de falar algo simplesmente por medo de serem injustas... hoje tudo se inverteu.

Copos descartáveis, celulares descartáveis, amizades descartáveis, vidas descartáveis... hoje parece ser tudo assim. Há pouco tempo atrás decidi postar algumas fotos novas no meu perfil em uma rede social e antes de fazê-lo resolvi revisar quem eram os meus contatos ali. Olhei um a um e comecei a avaliar quantas pessoas daquelas eu realmente conheço hoje em dia e confesso que fiquei assustada com o que vi: acredito que quase oitenta por cento daquelas pessoas eu não vejo há anos e uma boa parte das que sobraram eu não vejo há pelo menos dois meses (com exceção obviamente daqueles com quem eu trabalho e vejo constantemente, mas esses não são necessariamente amigos). Aí, eu comecei então a me desvincular de uma parte considerável daqueles que entendia que não fazia mais sentido ter contato ali. Depois fiquei pensando que de repente estou descartando pessoas.... simples assim!

Isso me lembra uma máxima romana de guerra muito popular conhecida como "Dividir para conquistar". Ela hoje é usada como tática para resolver problemas na computação e nos jogos de xadrez mas parecem ser também táticas usadas na política e em outros ramos da sociedade. Aliás, Jesus mesmo disse algo sobre o tema em Mateus 12:25: "Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.".

Parando para pensar, é momento de parar de ignorar isso tudo e começar a agir: ler mais a Bíblia para que a mente esteja renovada e com isso o coração se encha do Amor verdadeiro, Aquele que une verdadeiramente as pessoas, mostrando que essa vida descartável é só uma cópia malfeita do que Deus tem para nós.

Nenhum comentário:

Postar um comentário