terça-feira, 9 de outubro de 2012

O testemunho


Hoje eu passei por uma situação de aprendizado que espero que sirva mesmo como exemplo para mim e para outros...

Pela manhã, cheguei ao escritório no horário normal e comecei a conversar com um colega sobre algumas questões internas da empresa. Durante a conversa outras pessoas foram chegando para trabalhar e, mesmo sem que nós estivéssemos falando alto, foi possível a outros ouvir o que dizíamos.

No meio da conversa, começamos a falar de outras áreas e sua postura em relação a algumas solicitações e necessidades internas. Na verdade, nós, como clientes, estávamos mesmo nos questionando e criticando algumas posturas adotadas no passado e no presente e com isso discutindo impactos. Só que, no meio da conversa, eu fiz um comentário sobre alguém cujas posturas eu definitivamente detesto e o meu comentário expressou exatamente como eu me sinto em relação a essa pessoa. E embora eu não tenha usado palavras feias para me expressar, o meu discurso chamou a atenção da pessoa que estava sentada atrás do meu colega que, instintivamente, soltou a exclamação: "eita língua..." me deixando chocada.

Engraçado que eu não fiquei incomodada porque ela havia decidido participar da conversa à qual ela não tinha sido chamada e nem tinha tentando entender o porque eu me sinto assim em relação à pessoa em questão mas porque pensei no testemunho que estou dando... ou seja, que neste momento, se eu estivesse no meio de uma construção de uma igreja literalmente, ao invés de colocar mais um tijolo na parede, eu tinha mesmo era tacado o tal tijolo no vitral da janela...

Confesso que fiquei bem constrangida e pensei sobre o que aconteceu e considerei algumas coisas:

- A boca fala do que o coração está cheio e, neste caso, ele estava cheio mesmo era de raiva com relação à pessoa que critiquei. Isso significa que, mais uma vez, está na hora de pedir a Deus o Seu amor e com isso poder ter a minha mente mudada em relação a esta pessoa que, antes de mais nada, é um ser humano falho como eu;
- Assim como uma casa que tem que ser faxinada de tempos em tempos, o nosso coração precisa de manutenção constante. Isso quer dizer que não importa se já perdoamos alguém ou se já nos esvaziamos de toda a mágoa e rancor; na verdade, sempre existirão novas coisas com as quais precisamos aprender a lidar e nenhuma delas deve ser desculpa para não tomarmos uma atitude de perdão;
- De fato, o perdão é um posicionamento e não um sentimento; se fosse um sentimento, sabe quando eu perdoaria certas pessoas???
- Impressionante como sempre tem alguém olhando o que estamos fazendo, mesmo quando não percebemos;
- As coisas boas que falamos só são consideradas quando são respaldadas pelas nossas atitudes;
- A gente passa segurança para as pessoas quando elas vêem que as nossas palavras não são só um belo discurso;
- Quando temos atitudes de amor e eventualmente lançamos palavras contrárias, as pessoas tendem a ser mais compreensivas conosco; quando temos atitudes egoístas e lançamos palavras de amor só parecemos mais falsos aos olhos do outro

Vi então que ali tinha uma oportunidade de exercitar o perdão. Então, comentei com o meu colega que realmente o comentário fazia sentido e que eu precisava mesmo resolver aquilo dentro de mim, já que não posso mudar a atitude e os sentimentos do outro. Virei-me para a moça que fez o comentário e reafirmei a ela que, de fato, preciso mudar a minha atitude que é a única coisa que posso mudar. E mais, que assim como eu, ele é humano e erra. Ela concordou e disse que, de verdade, estamos ali para trabalhar, independente de eu gostar dele ou não tenho que lidar com ele e eu concordei.

Não sei se o meu esforço foi o suficiente para não manchar o meu testemunho como cristã. Eu não ligo que as pessoas achem que eu sou boa ou má, se estou dentro dos padrões ou expectativas dos outros ou não. Mas eu realmente me importo com o fato do que as pessoas vão pensar da igreja quando me virem falando ou fazendo algo. Eu não gosto quando me rotulam por conta de outros cristãos então não acho coerente e justo viver uma vida em que eu não me importe com o meu testemunho como corpo de Cristo.

Para completar, não é uma questão de aparência: ou seja, não é que me importo com a imagem que as pessoas terão simplesmente pela imagem ou pela fama. Preocupo-me porque sei o quanto é difícil tentar aproximar alguém de Cristo e normalmente o maior impedimento/ desculpa é a igreja. Ora, se a igreja é feita de pessoas como eu, então a "fama" da igreja é formada de atitudes como as minhas, sejam boas ou más. E por isso, a responsabilidade aumenta. E com isso, a pressão aumenta. Mas com isso, a glória de Deus tem mais e mais oportunidades de ser manifestada através de nós porque, se depender da minha capacidade apenas, provavelmente quase ninguém se achegará à Cristo. Então, a dependência Dele faz-se a base de tudo... e esse é exatamente o maior tesouro: sermos um com o Pai.

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