segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Portas e janelas
Amo janelas! Na verdade, amo ficar do lado de dentro olhando o movimento do lado de fora delas, quase que independente do que haja ali.
Desde criança eu curtia, do apartamento em que vivia, pegar o telefone e conversar com alguém olhando o movimento da rua em que morava, independente do que tivesse ali. Aliás, a rua não era muito movimentada, com exceção das terças-feiras em que tínhamos uma feira da quadra ao lado.
Não sei se gosto de portas. Lembro-me de uma vez em que o meu pai pintou a porta do apartamento em que morávamos (outro que não o primeiro descrito) e lembro-me que ele quis provar que a tinta estava seca e resolveu colocar a careca para mostrar... e a careca saiu branquinha, branquinha...
Numa outra vez, lembro-me de querer entrar em casa e uma moça que morava conosco porque a minha mãe cedeu um quarto estava "de mal comigo" e decidiu não abrir a porta simplesmente, por mais que eu pedisse para ela abrir. Na época não tinha celular então eu não podia ligar para a minha mãe pedindo para ela ligar em casa e resolver, então tive que esperar a boa vontade dela de abrir.
Ainda uma vez, bem pequena, me lembro de estar com sono e o meu pai ter parado para fazer várias coisas no carro em um posto de gasolina e eu decidi sair do carro para ir abraçá-lo e quando vi, estava abraçada com o frentista.
Uma outra vez lembro-me ainda de que o pai da minha filha resolveu fazer uma brincadeira cruel com ela e deixá-la no corredor e fechar a porta por dentro. Eu gritei com ele, chorei, puxei ele e abri a porta por não suportar aquilo.
No fundo, nada de mal ia acontecer a ela mas eu pensei na rejeição e na tristeza que ela poderia sentir e me senti tão mal que não pude suportar. Acho que por conta dessas coisas nunca fui muito fã de portas. Mas, definitivamente, eu sempre gostei de janelas.
O meu pai sempre dizia que era importante ter muitas janelas para deixar o sol entrar, o ar circular pela casa e com isso, além de economizar energia, termos outro ambiente em casa. A minha mãe, desde sempre, chega em casa abrindo janelas e, às vezes, até com frio, ela mantém o hábito por causa de um cheiro que só ela sente mas, pelo menos, a casa está sempre arejada, sem cheiro de guardada.
Hoje acordei acreditando que isso é só uma ilustração da minha preferência pela dificuldade. Para que precisamos de portas se temos as janelas? Claro que a porta é um lugar certo para entrar e sair mas a janela é sempre o meio mais emocionante. Então, por que precisamos de portas?
A minha impressão é de que a porta nunca vai se abrir e, quando ela eventualmente se abre, o vento bate e quando eu finalmente tomo coragem, ela vem ao meu encontro e fecha o meu pé com violência, machucando-me e me fazendo sentir-me idiota por ter acreditado que poderia entrar.
Pois é... esse sentimento de inadequação adolescente que achei que já estava curado tem voltado nos últimos dias. Não é mais tão avassalador quanto antes e nem tão amedrontador mas ainda não foi embora. Eu não sei como resolvê-lo, muito embora tenha plena consciência de que o meu Pai pode limpar as feridas e fazê-las fechar.
O meu pedido hoje é que o Senhor me ajude a aceitar as coisas como elas são e perder o medo de entrar na próxima porta que se abrir, mesmo já tendo sido machucada por tantas portas, dobradiças e fechaduras.
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