Agora pela manhã participei da ginástica laboral aqui no escritório. Tudo bem, é uma atividade cotidiana mas é algo que quando se fica muito tempo sem, por mais bobo que possa parecer, dá-se um enorme valor. Além disso, se a pessoa se abre para participar de verdade e para perceber os limites do seu próprio corpo a atividade pode transcender o habitual.
Os exercícios de hoje, apesar da aparente baixa complexidade, foram voltados para o equilíbrio. Alguns foram mais fáceis, como ficar com um pé no chão, a perna esticada segurando a outra perna no ar por alguns segundos (uns vinte, eu acho) e outros foram mais desafiadores, como apoiar-se em um pé só e colocar a perna para trás e o restante do corpo para frente com os braços abertos imitando um avião. Embora pareça meio bobo e até banal, ao fazer é que a gente percebe o quanto é difícil.
Mas, um dos exercícios me lembrou uma situação que eu já tinha experimentado quando fazia aulas de yoga. O exercício inicia-se com os dois pés juntos e os braços abertos para as laterais do corpo; então, os olhos são fechados e a pessoa precisa dar um passo para frente com a perna direita, e depois com outro com a esquerda e por fim a pessoa precisa voltar para a posição inicial (tudo com os olhos fechados). Esse exercício, que parece bem bobinho, trouxe à lembrança algumas coisas que eu já tinha notado e me fez concluir algumas outras que eu não sei se tinha me dado conta mas que ficaram muito claras para mim agora.
Acho que a essência do que notei é que o exercício, que é simples de tudo de fazer com os olhos abertos, passa a ser muito mais complexo sem a visão. Isso porque quando estamos de olhos abertos podemos ter referenciais fixos e estáveis fora de nós para termos uma orientação do que fica aonde. Incrivelmente isso faz um tremendo efeito e pode ser a diferença entre conseguir atravessar uma corda bamba com sucesso ou simplesmente cair lá embaixo. Quando fechamos os olhos, não temos mais pontos fixos e o nosso referencial é o nosso corpo que, inseguro, não tem equilibrio suficiente para se manter reto e por isso acaba caindo. Claro que usar como ponto de referência algo que pode mudar de posição é um péssimo negócio porque, de um momento para outro, o "mundo" pode simplesmente mudar de lugar complicar tudo, provocando até quedas irreversíveis.
Levando isso para outros aspectos da vida, entendo que Deus é eterno e imutável e, sendo o único ser assim, Ele é o melhor ponto de referência para que a minha vida seja equilibrada. Fechar os olhos para o que acontece em volta e fingir que só eu existo me faz tropeçar ou pisar fora do espaço destinado para os meus pés, o que também não ajuda, por mais treino que eu tenha.
Nunca tinha ficado tão claro o motivo pelo qual Jesus resumiu os mandamentos a dois apenas, sendo amar a Deus acima de tudo e amar o próximo como a si mesmo. E neste ponto, lembrar que Ele também precisa de um referencial fixo se não vai cair, e que ele também precisa de tolerância e treino, assim como eu, para poder viver uma vida equilibrada, sem cegueira ou auto-reclusão e na liberdade de dar passos firmes e consistentes enquanto caminhar com Ele.
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