sábado, 30 de novembro de 2013

Quer me ajudar, filho?

Hoje alguém me disse que leu em um livro que Deus necessita de nós para realizar a Sua obra. O raciocínio é: se Deus não puder contar conosco, como é que as outras pessoas serão salvas? Portanto, Deus precisa das pessoas que já foram alcançadas por outras para serem instrumentos Dele e assim salvar mais gente.

Na hora eu pensei que Deus, que é Todo Poderoso, não depende ou necessita de nada e nem de ninguém para realizar o que quer. Afinal, de contas, quantas histórias eu já ouvi de que Deus mesmo, quando não tem ninguém para usar, acaba se revelando diretamente à pessoa.

Para citar alguns exemplos, eu começo pela conversão de Saulo de Tarso (chamado a partir dali de Paulo): ele caminhava com os seus colegas para Damasco e, de repente, no meio do dia, no horário mais claro e mais iluminado do dia, veio uma luz que era mais forte do que tudo o que existia e o cegou, acompanhada de uma voz que dizia: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". Dali em diante, Saulo (agora Paulo) conhece Jesus pessoalmente tendo como único intermediário o Espírito Santo de Deus que se revela através da luz mais forte do que tudo e dá início à sua conversão de vida. E isso aconteceu sem a intervenção de homem nenhum.

Outro exemplo é quando Deus usa a jumenta de Balaão para falar com ele (experiência relatada em Números 22). Ali, Deus mostra claramente que se não tiver ninguém para usar, ele pode simplesmente usar uma jumenta ou qualquer outra parte de Sua divina Criação.

Em mais uma série de situações Deus acaba se revelando tendo como intermediário apenas o Espírito Santo para as pessoas. Gostaria de citar uma experiência que eu mesma tive, mesmo correndo o risco de me chamarem de maluca: durante esta noite, acordei sentindo uma ansiedade crescente no coração. Orei e Deus me mostrou que a origem dessa ansiedade era na verdade o sentimento de alguém naquele momento. Isso era por volta de umas três da manhã. Pedi então que Deus me desse uma palavra para eu enviar a esta pessoa, já que eu creio que Deus é de paz e não de ansiedade e de confusão. E me veio ao coração Filipenses 4:6, que diz: "Não estejais ansiosos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.", e eu mandei para essa pessoa e dormi.

ora, eu estou há quilômetros de distância dessa pessoa, não falo com ela sempre e não tinha como saber que naquele exato momento ela passava por isso. Mas confiei que Deus é mais do que posso entender ou explicar e simplesmente mandei a mensagem. E hoje de manhã recebi retorno dessa pessoa falando que de fato estava ansiosa e o motivo pelo qual isso acontecera. Ou seja, Deus falou comigo sem intermediários. Mas, poderia ter falado com a pessoa diretamente. Então, se Deus podia ter tratado diretamente com a pessoa, por que me acordou para fazê-lo? Lembrei-me então de uma experiência que tive com o meu pai.

Sabe, o meu pai sempre gostou muito de mexer com madeira, construindo coisas como móveis e peças decorativas. E quando eu era pequena, me lembrei de algumas vezes em que ele me chamava para ir construir com ele, seja o que fosse. Mas, quando eu era pequena, eu achava que ele precisava da minha ajuda, afinal, sem ajuda ele demoraria muito mais do que com alguém dividindo a tarefa e, por fim, ela ficaria muito melhor tendo mais uma opinião além da dele. E eu gostava porque me sentia importante ajudando o meu pai. Lembrei-me até da caixinha de correio que projetamos, construímos e pintamos juntos e colocamos na frente da casa e que eu, orgulhosamente, encarava sempre e pensava como era legal ela ter sido feita por nós.

Aí, caiu a ficha: meu pai nunca precisou da minha ajuda para fazer nenhuma daquelas coisas. Aliás, eu acho que eu atrapalhei até que bastante ele porque sempre perguntava as coisas, reclamava que estava cansada depois de três ou quatro minutos lixando uma tábua, achava ruim que a pintura demorava para secar e queria apressar o processo, dava opiniões que nada tinham a ver exigindo assim do meu pai uma paciência para parar e explicar que as coisas não funcionavam daquele jeito. Ou seja, eu achava que estava ajudando mas, de verdade, às vezes até atrapalhava. Mas então, por que o meu pai me chamava para "ajudar"?

A outra ficha caiu: embora ele não precisasse da minha ajuda, ele queria compartilhar comigo aquele gosto que ele tinha por mexer com madeira e queria dividir com alguém a paixão dele por aquilo, e ele me elegera. Ele sabia que eu daria trabalho e que eu dificultaria as coisas, mas ali ele me dava o privilégio de participar daquilo que ele queria ou precisava fazer, muito embora ele pudesse fazer sozinho. E ele fazia isso por amor, sabendo que esta era a melhor forma de me ensinar sobre algumas coisas (mesmo sem imaginar que daquele gesto eu tiraria anos depois uma linda lição) e nos permitindo aproveitar mutuamente da companhia um do outro.

E tudo fez sentido: Deus não precisa de nós exatamente mas, como o meu pai fazia, Ele nos dá a oportunidade de trabalhar com Ele naquilo que Ele quer fazer. Sim, para Ele seria muito mais fácil e rápido fazer sozinho porque tantas vezes a gente reclama que está demorando, que já está cansado, que é difícil, que não vai conseguir, que tinha que ser diferente e tantas outras coisas que no fundo Ele tolera porque nos ama. Então, na verdade, é tudo por um único motivo: amor. Ou seja, não é Ele quem precisa de nós mas, de verdade, somos nós quem precisamos Dele. E Ele nos dá a chance de estarmos ao Seu lado o tempo todo. Cabe a nós decidirmos se vamos aceitar de bom grado, ou se vamos aceitar e ficar reclamando, ou ainda se vamos recusar e reclamar depois que Deus nos abandonou... faça a sua escolha! Eu já sei qual é a minha. :)

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