Ontem eu estava voltando para casa de noite e passei na frente de uma grande loja de roupas e vi um telão promovendo uma moça dançando e posando para fotos como se fosse famosa. Como eu não a conhecia (o que não é difícil porque eu fico praticamente distante de todos os meios de comunicação em massa e acabo não conhecendo a maioria das "celebridades"), eu perguntei à minha filha, que me contou o nome da moça e me explicou que ela é cantora de funk.
Não sei bem porque mas hoje me lembrei disso e comentei no escritório e, obviamente, as pessoas riram quando eu disse que não conhecia. Claro que isso não me incomoda porque já estou acostumada a ser tratada como alienada nesses assuntos, já que de fato faço questão de me manter distante disso, mas decidiram me mostrar a música mais famosa da moça, que parece que é bem conhecida pela população em geral. E eu ouvi assistindo o clipe e lendo a letra daquilo que a moça razoavelmente bonita e com uma voz razoavelmente boa estava cantando. E confesso: me deu vontade de chorar.
Obviamente que não chorei mas foi impossível disfarçar a minha expressão que foi um misto de choque e nojo com o que estava vendo. A bem da verdade, aquela de fato não é realmente a pior música: tem letras que são definitivamente muito piores do que aquela em que ela diz que o show das poderosas está começando e que os incomodados que se retirem porque o objetivo dela com a dança é, no mínimo, seduzir.
Não sei bem explicar o que me chocou mais, mas se fosse para escolher acredito que é o fato de que as músicas dela deixam claro que ela tem o único intuito de usar a sua estrutura corporal bem servida (é um fato) para seduzir homens (e mulheres também, pelo que entendi as letras não excluem essa possibilidade) e usá-los como meros pedaços de carne, satisfazendo seus desejos sexuais e descartando-os, fazendo com eles tudo aquilo que as mulheres por anos choram quando um homem faz com elas.
A distorção de valores é tão latente, tão intrínseca, tão clara que eu não sei direito o que faz as pessoas quererem ouvir algo do tipo. Aliás, ver que algumas mães acham "bonitinho" suas meninas dançando e repetindo letras como as dessa moça também me assusta. Gente dando dinheiro para essa moça me assusta. Gente achando normal esse tipo de coisa me assusta. Gente que incentiva esse tipo de vingança sexista mal velada por parte de mulheres feridas por homens e outras mulheres que, ao invés de procurarem curar suas emoções, buscam dominar o outro me assusta. Ver que pouquíssima gente acha que isso é um completo absurdo me assusta.
Definitivamente sou um alien. Mesmo sendo composta por pessoas que não conhecem a Cristo, a minha família é feita de pessoas que não acham isso normal, comum, bom, desejável, correto ou qualquer outra coisa positiva e definitivamente não permitem que seus filhos ouçam, cantem, dancem ou achem isso correto e os incentiva a procurar valores muito mais humanos do que os apregoados nessas músicas. Nunca vi no meu contexto, por mais que sejamos considerados uma "colcha de retalhos familiar", esse tipo de desrespeito ao ser humano como algo aceitável. E não vejo as novas gerações tendo atitudes diferentes das gerações anteriores às minhas.
Deus de fato me preservou desde cedo de muitas coisas que não fazem o menor sentido quando se considera uma vida cristã. Imaginar que se ouve algo como as músicas dessa moça e se pode sair ileso é no mínimo pueril, para não dizer que ficar ouvindo algo do tipo é o mesmo que se alimentar de comida estragada literalmente, que vai poluindo a mente, o coração e o espírito (e em consequência o corpo também).
Só que fica de novo o questionamento: o que estou fazendo para mostrar a essa geração que nada disso faz o menor sentido e que só o verdadeiro Amor lança fora todo o medo? Como influenciar essas pessoas mostrando que essa vida escrava do sexo e do mal não faz o menor sentido sem me deixar contaminar por essas ideias tortas? Não tenho a resposta, mas posso dizer que não fui chamada para ficar assistindo isso e não fazer nada. Sei que tenho falhado muito e espero que Deus me perdoe por isso mas principalmente, que Ele me ilumine e me ensine a ser de fato diferente da multidão, sendo instrumento do amor Dele e levando aquilo que esse povo não tem e do que mais carece: o Caminho, a Verdade e a Vida.
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