E hoje, meio que aleatoriamente, esse moço me convidou pra uma comunhão que vai acontecer na casa dele, com a célula dele e um monte de gente querida. Eu vi o convite, comentei que ainda não posso dizer se vou ou não, e começamos a conversar. Papo vai, papo vem, perguntei a ele porque ele tinha decidido ir ao curso, e ele, muito sereno, explicou que foi porque quer agora aprender a administrar o dinheiro dele e aprender a se estruturar para quando crescer mais um pouco abrir o seu próprio negócio, e comentou o que ele pretende fazer. Disse ainda que entende que Deus provê mas que é necessário fazer a sua parte e por isso ele foi em busca do conhecimento.
Tudo bem, você pode dizer que estou exagerando na minha reação, afinal de contas, quantos garotos nerds existem por aí querendo abrir empresas e fazendo aplicativos de celular ou outros programinhas de computador e ganhando dinheiro? Outro dia eu vi até numa competição de culinária infantil um participante que, com oito anos, tem sua própria empresa de cookies... ou seja, pode não ser tão raro assim um adolescente sonhar.
Mas três coisas me impressionaram, e a primeira delas é que eu sei de onde ele veio. A família dele não é exatamente pobre, e não passa necessidade, mas não é rica. Aliás, ele é o segundo filho abandonado de uma mãe que até hoje não entendi porque decidiu engravidar, já que tinha na ocasião uma menina a quem ela já tinha doado para a sua própria mãe para criar, porque ela mesma não tinha condições. No caso desse garoto, ele foi criado pela irmã da mãe, pelos mesmos motivos da sua irmã. O pai ele não conheceu, e eu sei como fez e faz falta um referencial masculino adequado na vida dele, especialmente por saber que o referencial dele é o primo, que além de não ter ele mesmo um referencial masculino sólido, acabou fazendo escolhas péssimas e sendo um exemplo muito ruim para o rapaz.
Parece tão abstrato e tão pouco isso, mas me lembro de um dia em que conversamos (há uns dois anos quase) e ele estava tão desiludido com as coisas e tão irado com a sua vida que o comentário que fez foi que ele faria um filho um dia para espancá-lo tanto quanto ele foi espancado. Ou seja, ele é alguém que, mesmo sem referenciais, aprendeu de Deus a escolher o melhor e está buscando isso para a sua vida.
A segunda coisa é que embora ele esteja numa faixa etária em que tudo muda sempre, ele decidiu se posicionar e escolheu algo para a sua vida, e com seriedade. Afinal de contas, quantos adolescentes na faixa dos quinze ou dezesseis anos você conhece que gastam um final de semana inteiro para serem capacitados a fazerem negócios (detalhe: baseados em princípios bíblicos)?
A terceira e última coisa foi que, mais do que a grande maioria das pessoas que conheço (de todas as idades, diga-se de passagem), ele decidiu se posicionar. Ele deixou brotar um desejo legítimo no seu coração, acreditou, e não ficou apenas no sonho: olhou para a oportunidade de ser capacitado e resolveu encarar, porque ele entendeu que para que esse sonho se cumpra existe um processo, e ele pode ser lento, mas ele começa quando damos o primeiro passo, e ele já deu esse primeiro passo.
Por que eu coloquei essa foto justo aqui? Porque eu tinha acabado de ir à cozinha apagar a luz para dormirmos (a luz fica acesa durante uma boa parte do dia por causa do cachorro) e vi essa joaninha de cor inusitada no teto, mais ou menos perto da lâmpada. Voltei ao meu quarto, peguei a câmera, e comecei a clicar de vários ângulos, até conseguir um bom registro. Fiquei feliz com a "aquisição" fotográfica, mas fiquei pensando qual era o propósito dessa ação? E quando cheguei no quarto (depois de apagar a luz) ouvi a explicação do moço, e entendi: muitos de nós fazem as mesmas coisas todos os dias, e o fazem do mesmo jeito sempre. Normalmente não damos espaço para vermos o diferente, o inusitado.
Os poucos de nós que notam que algo novo está ali não param para avaliar, e neste caso, a maioria iria julgar que era uma mancha ou um inseto qualquer, e não ia reparar que era uma joaninha de cor tão estranha. Mas, certamente, mesmo daqueles que notaram, pouquíssimos voltariam para aproveitar o momento e ir além (o que no caso foi buscar a câmera e fotografar), não conseguindo acreditar no valor que aquele olhar tem.
Preciso abrir espaço para o novo. Preciso estar atenta aos detalhes, ao inusitado, e claro, estar preparada para aproveitar o que acontecer. Porque as grandes oportunidades acontecem sem aviso, sem explicação, e passam do mesmo jeitinho... e não adianta depois ficar pensando no que já passou. Agora é hora de se preparar para o que virá!

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