Desde ontem temos um irmão de uma igreja nossa que está desaparecido. Ele conseguiu fazer contato com a família e acabou até marcando um local para resgate mas, quando a família foi buscá-lo, ele não estava mais lá. Vejo centenas de pessoas mobilizadas procurando o irmão, orando por ele, buscando notícias, querendo ajudar e, de verdade, isso me emociona, porque vejo as pessoas se unindo em prol de buscar alguém que amamos e não está em nosso meio.
Esse irmão é um amigo de todos, um líder amoroso, um cara simpático, está noivo, é jovem e já formado no nosso seminário. Ou seja, uma verdadeira alegria para nós. E de fato, ele faz falta. Não porque ele é tudo isso só mas porque ele é mesmo um homem de Deus que sempre traz alegria e ânimo a quem está com ele.
Mas, por causa do episódio de hoje (que por sinal ainda não acabou porque continuamos procurando por ele), várias coisas se passam pela minha cabeça e pelo meu coração... Uma delas é: e se fosse alguém não tão popular assim?
Penso que esse rapaz colhe o amor que planta: por quem ele é, dezenas de pessoas estão à sua procura, e de verdade, acredito que depois desse episódio ele será uma das pessoas mais populares que conheço, simplesmente pela quantidade de gente que está orando por ele e buscando mais informações para ajudar. E isso não é fácil, e não é comum. Definitivamente, ele é um caso nesse sentido a ser avaliado.
Por outro lado, conheço diversas pessoas que, honestamente, são toleradas, mas não são amadas. E isso acontece porque elas são humanas e limitadas, e quem convive com elas são igualmente humanas e limitadas. Então, fico me questionando o que aconteceria se, de repente, uma delas desaparecesse... será que teríamos o mesmo afinco em buscá-las? Será que nos importaríamos tanto assim ou de repente teríamos aquele senso interior nos justificando que não precisamos nos preocupar porque, de verdade, não podemos fazer nada?
Pensei também nas pessoas que, agradáveis ou não, acabam se afastando da igreja por algum motivo (normalmente ou porque estão feridas quando chegam ao Corpo e acabam não sabendo como lidar com os acontecimentos da vida cristã ou porque são feridas enquanto estão no Corpo e acabam não querendo lidar com a pressão de perdoar e seguir adiante e acabam se afastando) ou simplesmente não conhecem Jesus. E pensei que os nossos conceitos estão tão deturpados que nos preocupamos mais com um irmão que, se vier a falecer, estará em Cristo (o que é absolutamente correto, esperado, digno e justo de se fazer) do que com alguém que está se afastando de Deus ou que já está desde agora andando para o inferno... triste realidade (a começar por mim mesma)!
Para completar, no domingo a pregação do pastor falou sobre Davi, e sobre ele ser reconhecido por Deus por ter um coração igual ao Dele por ter como prioridade aquilo que Deus tem como prioridade. E falou também sobre tudo o que Davi fez para trazer a presença de Deus para perto de si e do seu povo de volta, mesmo quando era um fugitivo ainda, e não só quando era rei. E perguntou a nós qual é o nosso nível de incômodo, de necessidade e de sede pela presença de Deus. E eu fiquei me questionando hoje quantas vezes eu tive tanta preocupação de ter a presença de Deus em cada situação como eu estou tendo com esse rapaz... de novo: o cuidado com os irmãos é definitivamente esperado, mandado por Deus e inevitável quando amamos as pessoas, mas e com Deus, o quanto temos nos importado? Como é a ideia de fazer alguma coisa sem Ele? Quase insuportável como seria no começo ao perder um grande amigo ou um marido querido? Desagradável mas realizável como uma tarefa que precisa ser feita mas nem é tão complicada assim?
No fim das contas, quem é a ovelha perdida? Acho que preciso rever meus conceitos...
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