sábado, 15 de outubro de 2016

E assim a gente vai sabendo como as coisas funcionam

Na linha do "você vive num mundinho cor de rosa e só você não sabia" ando vendo que realmente por um tempo considerável eu me enganei sobre muitas coisas em relação às pessoas que não conhecem a Cristo. Na verdade, pra ser mais correta, andei me enganando sobre algumas questões de caráter das pessoas em geral. Isso por um lado me deixa surpresa (porque vejo que realmente acredito mais nas pessoas do que eu imaginava e do que eu jamais pensei que acreditaria) e ao mesmo tempo triste, não por ter expectativa exatamente de que as pessoas sejam sinceras ou honestas o tempo todo, mas principalmente porque vejo e não vejo motivos para que "meias verdades" (ou no caso, mentiras completas) sejam contadas.
Hoje eu vi que uma pessoa mentiu para mim de um modo até um pouco infantil, inclusive porque essa pessoa acabou se entregando em fotos que postou em uma rede social. No fundo, não sei bem se ela decidiu contar uma história bonita pra mim porque achou que com isso eu teria mais simpatia por ela ou se simplesmente ela não poderia mesmo contar a verdade porque tem vergonha do que as pessoas podem achar dela ao assumir o que está fazendo (ou tem vontade de fazer).
Em geral, sei que as pessoas não são completamente abertas com as outras, e que o fato de eu procurar dizer sempre tudo o que penso, e que acho que vai ser importante para a pessoa saber, mesmo que não seja agradável, faz com que muita gente simplesmente não goste muito (ou nada, muitas vezes) do meu jeito. O meu consolo foi conhecer alguém que meio que funciona da mesma forma que eu, e que por isso também enfrenta questões com outros porque, muitas vezes, é considerada grosseira, intrometida ou mesmo deselegante. E claro, como cristãos, temos que fazer escolhas, e se seguimos uma vida de amar ao próximo, como fazê-lo sem nos violarmos? Ao mesmo tempo, como medir o limite do outro, de modo que não sejamos desonestos ou omissos, mas também não sejamos invasivos ou desnecessários? Tenso tudo isso...
Bom, essa pessoa que eu descobri que mentiu para mim já tinha entrado na minha vida bem de sopetão e desde o início eu tinha ouvido versões da mesma história que não se encaixavam, mas também não era exatamente um problema meu, já que eu mesma ouvia histórias vividas por ela e por outros, e portanto não cabia a mim julgar ou descobrir de fato o que era verdade. Infelizmente, com o passar do tempo, vejo que muita gente acaba contando uma parte das coisas, meio que pra manipular a situação a seu favor, ou simplesmente mente mesmo, inventando desculpas ou pedaços mais "leves" de uma história vivida. No fundo, tudo isso é parte (na minha visão, e posso estar errada, claro) da necessidade do outro de ser aceito a qualquer custo, mas ao mesmo tempo, ter a vontade de fazer o que quer, sem medir se realmente é o melhor para ela ou para os outros. Na realidade, o que as pessoas não percebem é que elas estão plantando desconfiança e mentiras, e que em qualquer outra situação, outras pessoas poderiam simplesmente expor a mentira descoberta, deixando-a em situação ruim. Eu, por outro lado, vejo que tenho a oportunidade de, assim como Jesus, lidar quando preciso com o pecado, mas sem condenar a pessoa, deixando claro que o amor por ela deve continuar, mas agora a base da conversa infelizmente não será a mesma do início, em que eu não tinha nenhum motivo para deixar de crer em tudo o que era dito por ela.
Engraçado esse lance da sinceridade ser um desafio... penso que isso tem a ver com falta de firmeza em relação à sua própria identidade, já que mentir me parece uma forma de sempre estar bem com os outros. O duro é que, com exceção de pouquíssimas pessoas, o lance de mentir torna-se um fardo muito maior do que se pode lidar, e em um momento inusitado, o descompasso do discurso aparece, e a pessoa acaba se traindo e mostrando que, no fim de tudo, ela não confia completamente em você para contar tudo o que realmente aconteceu. O que fazer com isso?
Novamente, como cristã, preciso perdoar, mesmo que a pessoa não peça perdão, afinal, essa é a minha parte. Pedir perdão, arrepender-se e mudar de prática são partes do outro, e eu não só não tenho nenhum controle sobre isso como também não tenho essa responsabilidade de buscar um constrangimento e uma reação do outro que faça com que ele reavalie sua atitude (a não ser, é claro, que seja alguém com quem se tem autoridade ou intimidade - ou ambos - como um filho, um cônjuge, um grande amigo ou um liderado por exemplo). O que posso fazer nesse caso é manter aquilo que Jesus me chamou para ser: transparente, honesta, correta, firme, madura e cheia de amor, por mim e pelo outro, colocando limites na relação quando o outro não se movimenta para mudar, deixando claro que, a partir dali, a relação muda, já que aconteceu o episódio específico que causou a mudança. Penso que quando é alguém com quem não se tem intimidade ou autoridade, a única coisa que posso fazer é orar, pedindo para que Deus toque o coração dessa pessoa mostrando que esse caminho que ela tem escolhido não é o melhor nem para ela e nem para quem a cerca. Bom, na verdade orar é sempre o primeiro passo, e o melhor a se dar, até porque através da oração Deus nos dá a sabedoria necessária para agirmos do modo mais amoroso, e não simplesmente reagirmos à situação. Fácil? Bem pouco! Possível? Com Deus nada é impossível!

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