Quando você percebe que os seus sentimentos estão em desacordo com a sua razão, ou pior, com o que diz Deus no seu espírito, a sensação é paradoxal: por um lado, um alívio por reconhecer a origem do desconforto e do cansaço interiores; por outro, um certo desânimo porque saber a solução e não conseguir aplicá-la acaba sendo frustrante.
Curiosamente, saber que os meus sentimentos, que neste momento estão se baseando em pensamentos que seguem paradigmas humanos mas não Celestiais, estão simplesmente tendo mais espaço do que deveriam, me faz lembrar de Davi, que em um dos Salmos pergunta à sua própria alma porque ela se encontra abatida.
Davi era um homem bem humano: concebido em condições diversas (ele mesmo fala que foi concebido no pecado), não era exatamente um garoto aceito pela família (tanto que quanto o profeta chega ali na casa de seu pai e o manda buscar seus filhos, ele não é considerado), faz amigos e alianças (como a que tinha com Jonatas), dança pelado quando fica feliz (e tem uma discussão com sua esposa que o repreende), tem desejos de agradar a Deus (quando deseja fazer uma casa pra Ele), mas ao mesmo tempo peca e bastante (como quando se apaixona por uma mulher casada e arma pra que o marido dela seja morto).
Mas, por outro lado, por ter conhecido ao Deus que há poucas décadas tinha voltado a se manifestar ali através de Samuel, nunca se prendeu a grandes padrões visíveis e humanos, e ganhou uma confiança Naquele que o chamou que definitivamente quase não se vê por aí. Isso porque em diversos momentos ele mostra que, não importa como ele se sinta ou o que os outros digam, o relacionamento com Deus e a Sua opinião sobre as coisas vale mais.
Vendo Davi comandar a sua própria alma pra que ela se sujeite àquilo que o seu Maior Amigo diz é uma alegria, e parando pra pensar em como fazer, chego à conclusão de que talvez a única forma é agradecer a Ele pelo que Ele é e pelo que Ele já fez. Isso deve ter um peso e uma relevância que muito provavelmente sejam o necessário pra reverter esse quadro interior.
Então... paro por aqui essa reflexão com cara de lamento e parto pro que pode ajudar: nada de fazer listas de afirmações positivistas vagas, apenas agradecer. Se eu não consigo ver adiante, agora trazer a memória o que me dá esperança cumprirá o seu papel. Bom... pelo menos tenho quase certeza. Se não cumprir, sempre posso escrever um texto novo... 😉
quinta-feira, 30 de março de 2017
A humanidade de Davi (e minha)
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