Tantas vezes é difícil mudar de atitude, e não fazer aquilo que o outro fez e que não te agradou, o que ele fez e que definitivamente não estava certo. Isso porque, normalmente, quando algo não nos agrada, é porque absorvemos o ato e, por termos o recebido, essa coisa ruim que é feita é o que passamos a ter para oferecer. Isso, claro, quando não resolvemos em Deus o que aconteceu, deixamos em Suas mãos e seguimos adiante felizes e leves, por termos trocado de fardo com Ele.
Dito isso, sigo com o tema principal: hoje ouvi uma comparação que, por mais estranha que possa parecer, me fez ver uma poesia que eu nunca tinha visto antes naquilo que escolhi para mim, que é a comparação que ouvi entre missionários estrangeiros e bailarinas.
Pra mim acaba sendo mais fácil entender a comparação porque a minha irmã mais velha é bailarina, e eu, mesmo não vivendo a sua rotina, já vi quantas escolhas ela teve que fazer para seguir adiante, e quantas outras ela fez, pra deixar de lado sua maior paixão e adotar outras fases que viriam a seguir na sua vida.
A comparação foi feita porque ontem, por causa de uma série de fatores, mais uma vez enfrentei um italiano que, por causa dos seus próprios problemas, acabou dizendo coisas ofensivas não só a mim mas também a todos os que trabalham comigo no escritório, e que, no fundo, são coisas que tem muito mais a ver com as mágoas e tristezas dele em relação às coisas que ele escolheu do que realmente ao fato de ele pensar ou não o que ele declarou.
Esse episódio ontem consumiu horas minhas, em parte porque só esse confronto consumiu quase duas horas, e fora disso, ainda rendeu assunto até hoje de manhã. Porém, um dos frutos desse episódio foi uma conversa com um europeu nato, com o qual surgiu a seguinte pergunta: "por que na igreja vocês fazem ou não fazem determinada coisa, já que aqui fazemos?" e a minha reação foi, na verdade, igual à daquele cara que, em primeiro momento, ao invés de assumir a responsabilidade, decidiu justificar. Sim, de modo educado, fui colocando os "motivos", que no fundo eram mesmo justificativas que nada tinham a ver com o real motivo que é: não fazemos porque decidimos assim.
Depois desse momento de justificativa, o irmão em questão me fez ver que, de fato, eu estava apenas me justificando... e quando pedi perdão por essa atitude, ele entendeu, e, pedindo perdão também, fez a comparação mais crua e mais poética que eu já ouvi sobre a vida missionária: somos bailarinas.
Uma bailarina profissional treina no mínimo seis horas por dia pelo menos cinco dias na semana, e toda a sua dieta é voltada para o que cada alimento produzirá em seu corpo. O sono é regulado conforme a necessidade de melhor performance no palco, e tantos momentos em família são deixados de lado, seja por causa dos treinos, seja por causa das apresentações. A exigência com a aparência no momento do espetáculo beira à perfeição e seus movimentos devem estar à altura. Seus dedos vão literalmente entortando e se arruinando com o passar dos anos por causa do esforço e do uso das sapatilhas de ponta, e diversos problemas adicionais podem acontecer durante a sua trajetória na dança. Para o público, expõe-se a beleza que seu esforço produz, mas não se pode enxergar o custo para a bailarina daquele espetáculo que ele está assistindo. Para ele, parece que demorou somente os tais cinquenta minutos de apresentação; para ela, durou meses, noites atormentadas pelos movimentos repetidos nos sonhos até conseguir a execução desejada, os diversos tombos, e tantos outros percalços, e claro, aqueles tais cinquenta minutos que aparecem para todos. Mesmo assim, uma bailarina que escolheu aquilo como estilo de vida, quase nunca desiste, e só para quando realmente não consegue ir adiante.
E eu, com tudo isso que tem acontecido, sinto que, mesmo com o corpo doendo, com toda a correria e todas as escolhas que tenho feito para levar Jesus para as pessoas, sei que no fundo, o que aconteceu ontem é parte do preço que me foi proposto para que, ao final do espetáculo que o Espírito Santo está preparando para esta nação, o público se renda àquilo que o Grande Diretor tem preparado para este tempo. E eu, como uma bailarina apaixonada, vou adiante até a última apresentação.
Glória a Deus! Brava!
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