terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O cão e o seu rabo

E quem nunca viu um cachorro correndo atrás do próprio rabo?
Olhando de fora, a situação pode parecer engraçada, fofinha, patética ou triste. Até porque, quem vê de fora, sabe que o cachorro jamais vai ficar satisfeito com essa busca. Isso porque quem olha de fora sabe que das duas uma: ou ele nunca vai alcançar o rabo, o que gerará uma frustração gigante quando ele for obrigado a desistir de persegui-lo ao ser vencido pelo cansaço; ou ele vai alcançar o rabo e mordê-lo, e a dor da ferida vai roubar a alegria da conquista. Então, pra gente, que consegue olhar o cão correndo em círculos inutilmente, é fácil imaginar o resultado... é tragédia anunciada, questão de tempo.
Mas e quando nós somos o cão e, por um problema ou outro (falta de visão, falta de calma ou simplesmente arrogância por não ouvir quem está vendo de fora a situação), ficamos correndo atrás do nosso próprio rabo? O que fazer?
Acho que um dos aspectos mais deprimentes dessa corrida é nunca perceber que o que está sendo perseguido, na realidade, já é meu. Afinal de contas, o rabo do cão já é dele, já está nele, e não tem nada que seja necessário fazer pra que ele tome posse do próprio rabo. O que falta ao cão é a visão consciente de que o rabo já é seu, e que no final das contas, o que ele precisa não vai ser suprido através daquela busca.
Parece bizarro fazer essa comparação com a nossa vida, mas quantas pessoas, por exemplo, buscam encontrar sua identidade ou autoestima em coisas que não fazem o menor sentido? O fato é que temos um valor inestimável e a nossa identidade, se buscada em Deus, nos preenche e nos dá satisfação. Mas quando ficamos procurando essas coisas em nós mesmos, ao mesmo tempo que estamos tristemente procurando algo que já é nosso, caçamos algo que nunca nos dará o senso de direção que precisamos.
A resposta? Olhar para o alto, parar de olhar para aquilo que perseguimos com tanto afinco, e buscarmos a direção em quem pode realmente nos orientar. Seja um amigo inspirado por Deus, seja um pai ou um professor, ou simplesmente em oração, extraindo direto da fonte a solução. Mas o que não leva a nada é continuar aquela corrida até cair no chão, exausto, e sem nem se dar conta do que de fato ocorreu.
Então, nesse elevador da vida, aonde muitas vezes somos como crianças pequenas em maturidade esmagadas por joelhos e bundas, ao invés de ficar sofrendo com bolsadas que não deveriam nos atingir, que tal pedir colo pro Papai e mudar logo a sua perspectiva?

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