segunda-feira, 5 de março de 2018

O quebra-cabeças e suas pecinhas

Efésios 4:14-16 diz: "O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função."
E nestes dias, o meu pensamento, o meu foco, e as nossas conversas (Dele comigo) tem sido no sentido de pensar sobre como é ser um ser individual e ao mesmo tempo ser um ser inserido no coletivo, sem que um desmanche o outro.
Se somos feitos para sermos unidos a outros, então, somos seres sociais, e isso significa que não podemos nos deixar afastar daqueles que Deus sugere que tenhamos ao nosso lado. Por outro lado, não é porque essas pessoas estão perto de nós que podemos ou devemos deixar que elas assumam (e menos ainda jogar nas suas mãos) a responsabilidade das nossas escolhas, das nossas decisões e dos nossos dias. Afinal, continuamos a ser seres individuais e que, no dia final, quando encontrarmos face a face com o Pai, seremos cada um de nós e Ele, individualmente, fazendo aquele fechamento do projeto a dois. Ou seja, por mais que tenhamos relacionamentos próximos ou muito íntimos, de fato, o que conta primeiro é a nossa relação com Deus, porque foi Ele quem nos formou, e é Ele quem nos sustenta, quem nos dá o fôlego de vida, e é Ele quem nos levará para perto de Si e que nos susterá durante toda a eternidade.
Mas, como então encaixa isso com a vida em igreja? Como faz isso funcionar como casal? Como achar o ponto certo entre não ser frio e ao mesmo tempo não ser dependente? Qual é a medida?
Interessante que neste fim de semana eu me dei conta do quanto é fácil a gente se acostumar com certas coisas, ou com certas pessoas, certas presenças, certos cuidados... e como é mais fácil ainda confundir isso com poder delegar ou "delargar" a outros as decisões que você e só você deve tomar. Me dei conta do como é fácil ser influenciado e sentir que a sua alegria pode vir ou depender do estado de espírito ou de ânimo do outro. E de verdade: até pode, mas não deve!
As pessoas tem jeitos diferentes de lidarem com as coisas, de perceberem as coisas, de sentirem os momentos e de desejar o que querem pro futuro, mesmo diante das mesmas circunstâncias. E de verdade, isso é bom! Mas, perceber que de repente você está do lado de alguém que não é uma cópia sua é, além de assustador (porque fica o questionamento de como raios isso não tinha te ocorrido antes) muito cheio de possibilidades e muito libertador. Afinal, existe a oportunidade de aprender um outro modo de fazer, um outro modo de ver, um outro modo de sentir ou de pensar, e até de desejar para o futuro coisas para o eu, para o você, para o nós e para o eles. Mas, hoje vejo que essa brincadeira não é para crianças: dar conta de entender e lidar com o que existe dentro de si de modo saudável, e saber aceitar, compreender, abraçar e amar o outro, que é independente, diferente, individual e tão filho amado do Pai quanto você não é mesmo coisa para quem quem toddynho antes de dormir.
Provavelmente tudo o que estou escrevendo aqui é super óbvio, super normal e claro, totalmente sabido por muitos. Mas pra mim, embora houvesse a consciência, a revelação disso na prática de modo tão claro gerou um misto de sentimentos: susto, receio, alegria e fé.
Depois do susto inicial de que, sim, sou sensível, sou mocinha, sou romântica e lido com as coisas de um jeito super meu (ou seja, é só meu mesmo, e as pessoas ao redor não pensam assim), veio o receio: e agora, o que isso significa? E em seguida, veio a conclusão de que a resposta é abraçar com alegria essa nova fase, e esperar em Deus o suprimento, a alegria, o abraço e as respostas, mesmo sabendo que Ele vai usar aquela pessoa ao seu lado tantas vezes pra demonstrar isso, mas sabendo que em outras, o que vai resolver é o joelho no chão, a cara enchendo de lágrimas o travesseiro, ou ainda os olhos fechados meditando nos Braços mais que Suficientes, e que está tudo bem assim.
Como eu ouvi ontem, eu tenho uma vida que é minha, que veio desde o dia em que eu nasci, e que carrego comigo e que só o Papai está nessa comigo desde lá e comigo vai até o fim, e essa vida deve continuar existindo, e isso é bom. Aliás, isso é muito bom!
Assim, faço parte de um grande quebra-cabeças, construído pelo Grande Arquiteto, no qual sou uma pecinha que, embora pareça insignificante, faço falta; embora pareça igual à outras, sou única; embora possa me apoiar na peça ao lado, dependo do plano original do Criador para fazer sentido; e embora possa ser substituída em determinado contexto, o resultado final não será tão bom (nem para mim e nem para os demais) quanto eu me permitir ser eu mesma no máximo do potencial que o Papai planejou para mim.
E assim, com essa consciência, e vivendo nessa direção, sigo aprendendo como é na prática viver a plenitude de ser Corpo de Cristo: um grupo de seres únicos que, em uma conjunção divina, se tornam algo muito mais bonito e muito maior do que poderiam ser se permanecessem sós; mas ao mesmo tempo, um grupo que só tem todas essas cores, sabores e grandeza porque é feito de pequenas peças raras, únicas e absolutamente individuais, com suas características planejadas pelo Criador, que não se engana, não erra, e como dizia Albert Einstein, não joga dados com o destino.

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