Nesses dias tenho experimentado uma coisa que eu jamais havia tentado seriamente antes: pescar.
Conheci poucas pessoas que praticarem essa atividade, e com nenhuma delas eu tive proximidade suficiente pra que em algum momento surgisse um convite a sério para alguma tentativa de aprendizado. Até que neste fim de semana aconteceu: descobri um apaixonado pela pesca, que tem técnicas, táticas, equipamento e sabe aonde são os locais adequados pra isso. E então lá fui eu ver como era esse tal desse negócio de pescar.
Sempre ouvi que pescar alivia a mente, e que leva o pescador a simplesmente não pensar em nada além do próprio peixe, das iscas e da atividade em si. Quis saber como isso funcionaria comigo. E descobri que definitivamente não sou pescadora, mas que a atividade pode ser muito agradável e tem muito a ensinar.
A primeira coisa que percebi foi que na hora em que cheguei e organizamos as coisas e lançamos as varas, me veio a memória a imagem que construí de Pedro pescando e Jesus se aproximando dele pra convidá-lo a ser um "pescador de homens e de almas". Imagino Pedro, um profissional da atividade, que estava acostumado a pescar tantos peixes diariamente pra conseguir o sustento da sua família, olhando para Aquele homem que, de repente, sugere algo que parece tão simples e costumeiro mas que, ao mesmo tempo, é completamente inesperado e inusitado. Imagino Pedro olhando pra Jesus e imaginando que tipo de isca ou de vara ele usaria para aquela nova atividade, ou quantos homens e almas seria possível conquistar por dia, e como isso se transformaria em sustento diário para si e para os seus. Imagino ainda que, de início, ele tenha subestimado a missão que se apresentava, já que a pesca era o seu domínio.
Aprendi que a pesca com vara é resultado do uso de estratégia, tática, paciência e determinação, além de estar bem equipado. E isso não significa necessariamente que a sua vara precisa ser a mais cara ou a de última geração, mas ela precisa ser adequada ao tamanho do peixe da região, e as iscas precisam ser atrativas. Não posso deixar de lembrar da descrição bíblica da conversa de Jesus com a mulher samaritana, já que ele escolheu o melhor local e usou a isca justa pra começar a conversa com aquela mulher que, sedenta por água para o corpo e para a alma, se rendeu assim que percebeu que o que estava sendo oferecido ali não era apenas um pedaço de minhoca.
Aliás, quando se escolhe o local, o equipamento, o tipo de isca e o horário para a pesca, nunca se sabe o que virá: pode ser que venham apenas aqueles peixinhos que mais parecem com girinos, ou podem vir peixes de mais de vinte quilos... nunca se sabe quem é que vai fisgar aquele pedacinho de comida que ativou a curiosidade do peixe. Claro, o pescador que está sempre pescando na mesma região conhece bem o tipo de pescado que virá, e sabe como se preparar para aquele tipo de pesca. Jesus era mestre em escolher que tipo de isca funcionaria melhor: uma cura para os dez leprosos, a multiplicação dos pães para os discípulos e ouvintes, a libertação do possesso gadareno, ou ainda uma boa refeição, como a que fez na casa de Zaqueu. Para cada tipo de peixe, uma condição, uma estratégia, cujo objetivo final era realmente que as pessoas pudessem conhecer ao Seu Pai em modo amoroso e gracioso, uma boa novidade até ali desconhecida.
Por fim, tem que ter habilidade pra tirar o peixe da água: se afrouxa a linha, ele não fica preso no anzol; se puxa demais, ele pode se debater e sair; se demora, ele pode se soltar, tendo roubado a isca e não sendo mais atraído por uma nova porção.
O pescador sempre tem a visão de cima, e ele, que não está envolvido no contexto, olha de fora e percebe até as agitações das águas mais sutis, que acontecem com as mordiscadas até dos menores peixes. Ele sabe onde lançar a isca, sabe a hora de tirar o anzol e consegue estabelecer com mais precisão aonde lançar a sua linha, de modo que a eficácia da pesca seja mais alta. E eu imaginei Pedro tentando aplicar esses mesmos conceitos às suas pescas depois de Jesus; inicialmente usando os conhecimentos anteriores, mas depois se dando conta de que na verdade, o que ele precisava, era renovar os seus conceitos e os seus equipamentos, deixando de lado o que ele usara até ali, e buscando usar e imitar aquilo que ele vira Jesus usando e fazendo. Em um dado momento, ele se deu conta de que as águas mudaram e era necessário recomeçar com outro paradigma.
A experiência da pesca tem sido muito didática, e me faz pensar em como é a vida de um verdadeiro evangelista. Ainda não tenho tantas conclusões, mas uma coisa é certa: descobri que pra mim, a pesca não esvazia a mente... ela me enche de ideias e simulações de como foi o tempo de Jesus, e de como se pode cumprir hoje em dia aquele ponto na Bíblia em que Jesus fala que Nele poderemos fazer coisas ainda maiores do que Ele fez quando esteve aqui na Terra...
Confesso que estou muito curiosa sobre a minha próxima incursão nesse novo mundo maravilhoso de Pedro, com o qual tenho tanto a aprender.
domingo, 29 de abril de 2018
A pescaria
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