sexta-feira, 1 de junho de 2018

Uma vida que vale a pena: parte 1 - o tempo

Nestes dias tenho reavaliado a minha relação com o tempo: se por um lado me sinto em atraso em certos aspectos, em outros me sinto como se tivesse a vida inteira pela frente...
Muito louco esse lance de olharmos as coisas e pensarmos que estamos em atraso ou em antecipação em relação a algum evento que é considerado normal da vida, como casar, ter filhos, estudar, conquistar uma carreira ou uma casa ou algo material pra deixar pra próxima geração, ou ainda em relação à realização de um sonho qualquer. Quem foi que estabeleceu aonde nessa linha do tempo deveríamos estar?
Uns dias atrás ouvi de uma moça com dez anos a menos que eu que ela está velha pra voltar a estudar. Eu fiquei ouvindo aquilo e o primeiro pensamento foi: "quanto tempo mais ela vai desperdiçar sendo aprisionada por esse parâmetro que, no fundo, não tem sentido algum?". Parando pra pensar com calma, vivemos como se fossemos imortais... e claro, tem um lado bom nisso, que é nos permitirmos fazer planos e sonhar. Porque afinal de contas, quem está no fim da vida, simplesmente não tem tempo de pensar no amanhã. Mas por outro lado, como nos vemos como se tivéssemos garantia de vida por várias décadas adiante, nos sentimos no direito de adiar certas coisas que, de fato, já poderíamos ter feito (e em alguns casos, se tivéssemos encarado, teríamos uma outra situação na vida atual).
Bom, deixando as hipóteses de lado, que no fundo são, na sua grande maioria, enormes algemas para a alma (quem nunca se deprimiu pensando no que teria ganho SE tivesse tomado uma decisão diferente no passado?), o que importa é o que se pode fazer hoje. E o que não se pode fazer hoje.
Parece que temos a obrigação de construir todo um mundo novo a partir do zero, revolucionando todo um aspecto da vida no momento e fazendo história... e as vezes parece que não temos nenhum compromisso com o que acontece conosco ou ao nosso redor. Como foi que nos metemos nesse vórtice enlouquecedor que se chama "percepção do tempo"?
Outro dia, refletindo, fiquei pensando que há séculos atrás as pessoas viviam as vezes metade do que é a expectativa de vida de um ser humano médio em países que não estão em guerra, e o mundo tinha um outro ritmo, um outro ponto de partida e uma outra expectativa de conquistas no momento do balanço final. E isso fica evidente quando exercitamos como funcionavam as coisas, já que pra se movimentar era preciso andar à pé ou à cavalo (ou tomar um tempo gigante pra construir um barco que também levava um tempo enorme pra fazer uma travessia de horas nos dias de hoje)... ou seja, certamente se realizava menos, mas nem por isso as pessoas viviam necessariamente nessa angustia de conquistar e viver cada vez mais intensamente. Será que estamos nos energizando com a adrenalina da perspectiva de sermos os próximos revolucionários ou nos anestesiando com a pressão de sermos, aos olhos dos outros (e as vezes os nossos mesmos) cada vez mais?
Meu... pra que essa pressa? Pra que esse desespero de fazer tudo pra ontem, como se absolutamente tudo que fazemos fosse completamente imprescindível e inadiável? Por que perdemos o foco no que realmente importa?
Pra mim (e a cada dia mais isso vem sendo realidade na minha vida), a única coisa com a qual devemos nos preocupar de verdade em primeiro lugar é com nossos relacionamentos.  A Bíblia diz que todos os mandamentos de Deus do tempo da lei se resumem em duas coisas: relacionar-se com Deus e com o próximo... e pra isso, não podemos ter pressa.
Acho que no fim das contas, é o que vamos deixar e o que realmente faz sentido e vale a pena. Dinheiro nenhum no mundo vale mais do que um abraço sincero no momento da dor, ou do que um sorriso amigo na hora de comemorar alguma coisa boa. Então, o que tenho feito com o meu tempo?
Pra viver uma vida que vale a pena, a primeira coisa que preciso colocar em ordem é a minha relação com esse cara, que pode ser o meu maior aliado ou meu pior algoz, dependendo de como escolho me relacionar com ele. Sem isso, cada uma das decisões será afetada por uma falta de senso crítico que mata o que mais importa... e no fim ficamos de mãos vazias, vivendo um dia após o outro, construindo mil coisas que, por fim, não substituem o tempo que vc deixou de ter com quem ama.
Então... tic tac... tic tac... tic tac... o tempo está correndo, ou escorrendo pelas mãos como se fossem grãos de areia na praia... como pretendo usar os grãos que me restam daqui em diante?

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