Como falar sobre sonhos sem ser piegas? E como tratar o assunto sem ser superficial e sem mencionar clichês? E como aprofundar em algo que parece tão simples...?
Bom, inicialmente estabeleço (até pra mim mesma) que quando falo de sonhos, não me refiro a ilusões ou delírios, e também não estou considerando nenhum tipo de planejamento material exatamente. Não que dentro dos sonhos não caibam questões materiais, e não que não seja necessário pensar no material pra que os sonhos se realizem, mas definitivamente o material é apenas um aspecto a ser tratado quando se deseja realmente realizar algo que se tem dentro de si mesmo.
Não sei dizer se eu tenho de fato um sonho tão grande como outros que conheço, mas também não acho que seja mesmo o caso de medir tamanho, profundidade ou probabilidade de alcançar, ou ainda aparente relevância para a sociedade... o ponto inicial é identificar o que seria algo a realizar que, ao final da vida, me deixaria feliz e com a sensação de que, no fim das contas, fiz algo que me satisfez e que valeu a pena viver por causa disso.
Claro que existe um risco de fazer do sonho um ídolo, e sinceramente penso que o risco é muito maior do que se pode considerar uma análise inicial, mas quem nunca achou que um sonho era maior do que parecia ao início e, conforme foi se dando conta da dimensão da coisa, foi se empolgando e dando muito mais atenção, cuidados e recursos àquele projeto do que para as pessoas ao seu redor? Como não se perder dentro da estrada em direção ao seu sonho?
Bom, quando eu era criança, meu primeiro sonho de infância era ser cantora da noite. Por que? Bom, objetivamente até hoje não sei explicar exatamente o que se passava na minha cabeça, mas confesso que até hoje quando penso na ideia, algo se agita dentro de mim. Não acho sinceramente que isso fosse algo viável na minha vida de algum modo, mas sempre que paro pra cantar, confesso que é como se algo adormecido dentro de mim gritasse me lembrando que estou viva e que, de algum modo, aquilo faz um sentido muito mais profundo para a minha alma do que eu posso compreender.
Depois, deixei de lado essa ideia e profissionalmente sonhei outras coisas, como ser atriz de teatro (também descartado, visto que sinceramente os meios para se atingir essa posição eram pra mim impensáveis), e depois sonhei em escrever um livro, coisa que comecei há cinco anos atrás e ainda não consegui terminar. Por quê? Bom, por mil razões, mas acho que a principal delas é simplesmente porque nem eu mesma acreditei o suficiente de que aquilo teria algum sentido pra mais alguém ou alguma função pra outra pessoa... e porque pra mim seria estranhíssimo escrever um livro que ninguém leria, eu comecei a desanimar, seja pelo receio de soar orgulhosa com o que escrevo, seja pelo medo do ridículo, seja pela responsabilidade que se tem quando se comunica algo a outros (parece que não mas quando as pessoas te levam a sério em algo, a responsabilidade com o que se vai dizer se torna ainda maior do que se imagina).
Aos poucos tive (e ainda tenho) que enfrentar tantos pequenos e grandes desafios de todos os tipos: de ordem prática (como farei para imprimir uma tiragem?) até questões estruturais (como não ter tempo suficiente pra me dedicar a algo do tipo) e claro, a preocupação de ser coerente e transmitir algo que faça sentido e valha a pena ser compartilhado.
Mas hoje, o meu desejo de tentar e principalmente de chegar ao fim dessa iniciativa tem me feito ir além do que eu imaginaria: aos poucos me vejo escrevendo no celular enquanto espero o transporte público, sinto a reação das pessoas compartilhando certas coisas que escrevo com gente que eu penso que pode contribuir (ou que muitas vezes contribui para os processos de Deus na minha vida até sem saber) e também oro pra que, no tempo certo, eu me sinta segura em concluir pelo menos um primeiro livro e meter as caras em pequenas editoras pra tentar vender o conteúdo (não só pelo dinheiro, mas pela difusão da mensagem em si).
Como será tudo isso? Eu não faço ideia. Mas sabe quando se chega ao ponto que, ou a gente tenta ou o assunto vai ficar mal resolvido pra sempre? E quem disse que eu sei quanto tempo vou viver pra ter novas chances de levar até o fim algo do gênero? Quem sabe como será a minha vida daqui em diante, de modo que se eu não me organizo pra viabilizar o sonho, independente das circunstâncias, ele simplesmente não vai acontecer.
Como eu já ouvi diversas vezes (e me perdoem porque eu me prometi a mim mesma em primeiro lugar que evitaria a todo custo usar chavões), Deus só faz aquilo que nós não temos condição de fazer. Ou seja, se eu não colocar o cajado no mar e começar a marchar em direção ao outro lado, Deus nunca vai dividir as águas, abrindo o caminho (até de modo sobrenatural se preciso, como fez com Moisés na saída do Egito).
Ou seja, em primeiro lugar, depende de mim. Depende do meu interesse, depende da minha disposição, depende da minha organização, do meu posicionamento, da minha resiliência (e talvez em alguns momentos até da minha teimosia). E claro, da minha fé: em Deus, em mim mesma (especialmente na capacitação que Ele já me deu) e nas pessoas que me amam e que insistem, mesmo quando eu decidi titubear ou desistir, em acreditar que eu posso ir ainda um pouquinho mais além. E depois que eu fizer isso, posso assistir satisfeita Ele me amando, abrindo espaço aonde eu ainda não vejo, fazendo conexões e trazendo contatos, me inspirando e claro, permitindo que no final das contas muitas pessoas possam ler algo que faça sentido pra elas e que, acima de tudo, traga a elas também alguma coisa que as ajude a viver por elas mesmas uma vida que vale a pena ser vivida.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Uma vida que vale a pena: parte 7 - sonhos
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