Hoje é domingo e porque eu fiz muitas coisas durante toda a semana e me movimentei bastante inclusive hoje, decidi passar o fim do dia debaixo das cobertas, esperando a tal da neve que a meteorologia vem prometendo para esta noite, e assistindo um seriado da internet cujo mote é colocar três pessoas que são absolutamente amadoras para fazer coisas de confeitaria, como belos bolos, cookies, muffins, doces complexos e coisas do tipo. Naturalmente, o que é produzido tem um resultado discutível, mas a graça do programa é mesmo mostrar que pessoas comuns podem enfrentar esses mistérios da cozinha e simplesmente fazer coisas que, ao mesmo tempo que se comparadas com o trabalho de um profissional beiram ao ridículo, por outro lado, trazem a diversão aos seus participantes, não só pelo clima de brincadeira, mas também pela satisfação de poder tentar algo sofisticado sem a pressão de ter realmente que fazer tudo perfeito. E em geral, funciona bem: mesmo os ganhadores do prêmio de cada episódio de 10.000 dólares não é apto para produzir algo tão incrível, mas acaba que todo mundo se diverte, inclusive quem assiste.
Já assisti diversos episódios desse seriado, mas hoje, assistindo a um deles, vi o quanto algo que parece tão pequeno, tão simples, e tão opressor, para outros pode ser um privilégio, ou uma prova de superação e uma fonte de alegria. Isso porque no episódio que assisti, uma das competidoras, ao final, chorava por ter feito uma caixa metálica de bolo e flocos de arroz (que deveria na verdade ser um robô) porque em algum momento da vida ela teve um derrame e os médicos disseram a ela que ela jamais teria condições novamente de fazer algo tão autônomo como cozinhar, muito menos tentar algo de confeitaria. E ela, mesmo com a limitação imposta pelo programa (alta complexidade para um amador nos desafios, instruções poucos detalhadas em alguns pedaços, tempo restrito e outras distrações e obstáculos), acabou fazendo algo que, para o público em geral, seria difícil de se alegrar, porque sim, seria possível com um pouquinho mais de treino fazer algo lindo... mas ela, por causa da sua experiência de vida anterior, chorou e agradeceu porque teve a oportunidade de participar de uma experiência que, para ela, foi libertadora, e incentivadora de muito mais coisas melhores que virão.
E eu pensei: quantas vezes eu fiquei irritada com algo que produzi (seja na cozinha, seja na vida) e deixei de ver o quanto eu fui abençoada somente por ter a oportunidade de passar por aquela experiência? Ou quantas vezes eu vi pessoas se lamentando porque algo que parecia tão simples não saiu como o planejado e Deus, na hora, me lembrou do quanto aquilo era fruto de uma benção Dele, e como a gente tem motivos para sermos gratos em cada momento que vivemos... quantas vezes perdemos a perspectiva real sobre o resultado das coisas, olhando apenas para o que não nos surpreende positivamente, ao invés de computar todas as coisas que de fato não só saíram bem, mas até foram melhores do que poderíamos ter feito?
O curioso é que, como diz a Bíblia, a chuva cai sobre o justo e sobre o injusto... então, o que faz com que uns considerem algo uma lástima, enquanto outros vêem a mesma situação como alegria? A diferença é a postura, é a atitude do coração. Uma vez que nos permitamos realmente nos enxergar, e nos vermos de onde viemos e onde Deus nos tem colocado, e o que Ele nos tem permitido viver através do Seu grande amor, os lamentos serão cada vez menos frequentes... a necessidade de entender as coisas será cada vez menor, e ela será substituída por uma vontade enorme de aproveitar o lado bom e agradecer. Porque, no final da contas, nunca sabemos quando é a nossa última oportunidade.
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