Novidade porque eu nunca vendi nada usado em casa. Isso porque no Brasil eu nunca cheguei a pensar no caso, e na verdade, eu também não achava que precisava, e sempre acabei doando as coisas que eu tinha.
Desafio porque eu sempre me achei muito ruim de vender as coisas, e porque minhas experiências pregressas na área de vendas foram traumatizantes (quem é ex-bancario ai levanta a mão). Fora disso, claro, fazer negociação em francês é uma coisa super audaciosa, até porque a minha fluência ainda é abalada pela limitação de vocabulário e por falta de conhecimento em certas regras e tempos verbais.
Mas, tem sido um tempo de aprendizado muito importante.
Em primeiro lugar, porque quando eu colocava algo para vender, eu não me colocava no lugar do comprador e com isso o anuncio muitas vezes não colaborava.
Por outro lado, precificar sempre é um desafio porque saber qual é o máximo que se pode cobrar por algo sem perder o interesse do comprador é uma arte.
Mas... E por que isso se tornou algo tão importante?
Bom, uma das coisas mais óbvias mas mais impressionantes que tenho constatado é que sempre tem alguém que quer o que você está oferecendo, seja a oferta do que for. Curioso, não?
Parece meio exagerado, mas não é. Se você souber como disparar os gatilhos corretos na cabeça da pessoa, ela vai se interessar pelo que você está vendendo, não importa muito o que seja (a não ser, claro, se for uma coisa contra os princípios da pessoa por exemplo). Isso explica por exemplo o que vi outro dia: um cara que vendeu um quadrinho de vidro com terra dentro por cerca de cem reais, e a justificativa era que essa terra foi retirada do primeiro Rock in Rio da história. Ou seja, a pessoa não estaria comprando um quadradinho de terra no vidro mas sim o direito de dizer que, de algum modo, ela tem um pedaço desse momento histórico dentro da sua própria casa. Doido, não? Mas tem doido pra tudo.
A outra coisa é que as pessoas compram mesmo por impulso, mesmo que seja um item de real utilidade. Como eu sei? Vendi a minha cama com o colchão (que tem umas manchinhas) e pedi pra vir buscar depois. A moça veio, mas levou só a cama. Para o colchão ela arrumou uma desculpa e eu perdi aquela venda.
Claro que neste caso a coisa foi até que muito boa, porque eu posso dormir no colchão por mais dias antes de mudar. Mas o mais precioso foi mesmo o aprendizado sobre o calor do momento.
Pra mim, no fim das contas, mais do que um momento de superação, essa experiência me mostra que como cristãos, precisamos ter muita prudência em relação ao que oferecemos. Até porque é muito fácil "embalar" uma coisa não tão incrível assim em um discurso interessante para vender algo do qual você precisa se livrar... Ou que interessa pra você ou para alguém que seja divulgado.
É assim que sem querer nos tornamos massa de manobra de governos, religiões, marcas... Abraçamos o que estão nos oferecendo no calor do momento, não damos a nós mesmos o tempo necessário para avaliar com calma o que nos foi oferecido, e por fim, repassamos o que adquirimos.. E perpetuamos assim coisas boas e coisas discutíveis, sem ao menos termos noção do impacto que pode provocar aquilo que estamos distribuindo.
Portanto, renovar a mente é além de conhecer o que a faz disparar (e eventualmente fazer mudanças sobre o que nos move) saber como frear os instintos no momento adequado e fazer escolhas conscientes para que não sejamos o povo de Deus que perece por falta de conhecimento (e nem pedra de tropeço achando que estamos servindo de degrau na escada para o céu).
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