“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão lançar fora e ser pisado pelos homens. (Mateus 5:13)
Pois é... aprendi algo absolutamente poderoso nesses últimos dois dias: o que Jesus quis dizer quando disse que nós devemos ser o sal da terra.
Engraçado que eu nunca tinha parado para pensar sobre o assunto porque sempre achei que Jesus dizia que nós somos o sal da Terra, ou seja, que nós estamos neste mundo para salgar, dando a conotação de que devemos dar graça a este mundo, fazer a diferença e quiçá ajudar a conservar o alimento. Só que, na Bíblia, não se fala sobre comida... e na verdade, não fala também sobre o nosso planeta... fala sobre o elemento “terra” (assim como temos o ar, a água e o fogo, temos a terra e é dessa que a Bíblia fala).
Ora, se a Palavra fala sobre essa terra, o que é então esse sal? Se fosse o sal do mar seria fácil de imaginar, afinal, o sal vem do mar e poderíamos então considerar algumas explicações para isso. Mas o ponto é que o trecho fala do “sal da terra”.
Ouvindo um mestre explicar sobre os costumes judaicos da antiguidade, aprendi que, naquela época, tanto quanto hoje (bom, talvez um tantinho a mais pelo menos), era meio raro um banheiro público. Por causa disso, os civis judeus adotaram um costume criado pelos seus militares de carregar um pedacinho de madeira para, com ele, abrir um buraco no chão (em local mais reservado, claro) e lá eliminar todos os seus dejetos físicos. Depois disso, aquele cidadão (que sempre andava também com uma porção de sal) jogava um punhadinho ali nos dejetos para que, com o sal, eles tivessem todos os seus efeitos ruins neutralizados (bactérias e afins morreriam com o sódio) e depois disso, o pauzinho ajudava a jogar a terra por cima daquele montante cobrindo o buraco novamente.
Portanto, o sal da terra é no sentido denotativo (ou literal) uma substância neutralizadora que tem a função de eliminar a ação do mal naquele monte de dejetos. Mas, no sentido figurado (ou conotativo), o sal da terra é aquela substância que serve não para dar graça para o que o rodeia mas para neutralizar a ação de tudo o que é mal ao seu redor. Então, o meu sorriso para alguém no meio da rua pode parecer sem importância ou quase ridículo mas, em um dia mau para o outro, pode ter o efeito do tal “sal da terra” dos judeus. Um abraço, um minuto para ouvir alguém que está ansioso para contar algo e não sabe para quem contar e até mesmo as nossas orações (mesmo quando parecem não ser ouvidas) tem o mesmo efeito.
Por um lado, essa passagem perdeu o seu lado romântico... imagina, eu achava que tinha a função de ser eu mesma buscando o Senhor e, por causa Dele, deixar as coisas mais interessantes à minha volta. Bom, na verdade, isso não deixou de ser real mas, o que essa nova visão me faz entender é que, quando decidimos seguir a Cristo seremos lançados em um mundo que não é aquele tédio todo que só quem comeu comidinha de hospital sabe como é... seremos lançados em um mundo fétido, doente, com bactérias espirituais (e às vezes físicas) e por sinal, localizadas dentro de um buraco e mesmo assim, ali, sermos instrumentos para Deus neutralizar a ação do mal.
Por outro lado, fiquei impressionada com a realidade e a atualidade dessa passagem, já que até hoje eu vejo até a mim mesma escolhendo para quem desejar um “bom dia” ou para quem vou dar passagem ao passo que, na verdade, o correto é sempre mostrar (na força do Senhor única e exclusivamente, tomando o cuidado de não viver uma vida de aparências) que, com Jesus em nós, o mal não vai vencer porque Ele tem o poder de superar e neutralizar todas as coisas.
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