sexta-feira, 1 de junho de 2012

Querer matar o diferente é uma forma de suicídio


Hoje o dia começou "quente". Isso porque acordei de manhã e ainda na cama, com o celular em mãos, eu resolvi acessar uma rede social na qual estou inserida para ver as novidades enquanto eu ainda estou no processo de "acordar/ levantar da cama". Obs.: na verdade, acordar e levantar não estão necessariamente em ordem cronológica... faço o que vier primeiro dentro do limite de horário que tenho todos os dias de manhã considerando acordar a minha filha, tomar banho, escovar os dentes, escolher uma roupa, trocar o jornal e a água do cachorro, dar um jeitinho - ou tentar - nas coisas de casa... enfim, vida louca total (isso em cerca de quarenta minutos no máximo).


Bom, voltando ao foco: eu decidi então dar uma olhadinha se alguém tinha postado algo interessante ou engraçada (normalmente essas coisas me ajudam a levantar, incluindo os diversos posts que vejo celebrando a sexta-feira... obrigada a todos os "postantes" que me animam pelas manhãs nos finais das semanas úteis) e vi um contato meu que postou algo sobre um comentário de um deputado que é pastor evangélico que sinceramente foi absolutamente infeliz (para não escrever mais diretamente o que penso sobre isso até porque estou julgando de fora e, na verdade, não é correto tomar uma posição assim... senão posso cometer o mesmo erro que entendo que o tal pastor cometeu). Enfim, o meu contato, além do comentário do pastor, comentou algo do tipo: "digamos não à bancada evangélica racista e homofóbica".


Eu confesso que na hora fiquei absolutamente indignada por alguns motivos:


1) Ele é vegano e fica o tempo todo engrandecendo as suas escolhas filosóficas e alimentares e eu nunca, nem uma vez, fiz graça ou me manifestei genericamente a todos os veganos contra ou a favor por causa das posições muitas vezes radicais que ele expressa;
2) Eu senti-me sumariamente comparada àquele pastor que nem eu nem ele conhecemos mas que por causa de um comentário infeliz tornou-se alvo de nossas atenções (de modo negativo, confesso);
3) Eu também não gostei do comentário do pastor e acho mesmo que, a não ser que tenha sido completamente tirado do contexto o tal comentário era absolutamente dispensável (não... não vou ser hipócrita: acho mesmo que ele foi péssimo independente do contexto porque, pelo teor do que ele publicou, na minha visão não tem contexto que conserte a porcaria toda)


Enfim, conversa vai, conversa vem na tal rede social, no fim das contas fiquei satisfeita por ter colocado a minha opinião que é de que não acho justo que todos nós sejamos vistos da mesma forma por causa do comentário infeliz de um membro do corpo (agora me passou pela cabeça o seguinte: na verdade, eu não sei se ele é do corpo de Cristo... acho que alguém que diz isso pode até ser e ter errado, ou simplesmente não ser do corpo e declarar que é porque vive enganado... nunca saberei).


Chegando no escritório comentei com duas pessoas dizendo que uma pessoa com a exposição que um deputado tem em público precisa ser mais cuidadoso e responsável com o que fala porque expõe ideias que podem não estar corretas sobre milhares de outras pessoas que simplesmente não conseguirão se defender. Questionamos então ainda se a pessoa fez isso só para chamar atenção ou se foi só uma exposição daquilo que de fato ele acredita. E eu, estupidamente, comentei que acho que quando a pessoa pensa algo desse tipo, ela deve guardar essa opinião para si. E uma das pessoas retrucou imediatamente dizendo: "eu discordo... é bom que as pessoas se expressem em relação ao que pensam: assim todo mundo está vendo quem realmente essa pessoa é". Ok, Colega 1 X Camila 0.


Não contente, fui comentar com aquele amigo ateu (fiz isso porque ele também conhece esse contato que postou o pomo da "discórdia") e começamos a conversar sobre termos ou não um Estado laico e sobre questões tão polêmicas quanto essa. E a discussão parou em um ponto bem curioso... eu me vi defendendo a ideia de ter um legislativo no país totalmente cristão para que tenhamos aí sim um país melhor de verdade. A conversa teve que parar por motivos alheios ao assunto e eu parei para pensar sobre o que tinha acabado de acontecer.


Em primeiro lugar, notei que fui radical como nunca tinha sido (o que já foi estranho por si só). De qualquer forma, eu ainda considerei que de fato tinha razão na minha opinião. E aí me passou pela cabeça a seguinte dúvida: será que eu me esforçaria tanto em seguir a Cristo e tentar fazer as coisas serem melhores como Ele fez se não existissem pessoas que pensam diferente de mim?


No fim das contas, é claro que eu quero que todos conheçam a Cristo como eu tive a oportunidade de conhecer (e na verdade, gostaria que todo mundo tivesse a oportunidade de conhecer a Cristo como eu pretendo ter conhecido até o final da vida, já que espero hoje estar aquém do que estarei no futuro nesse quesito). Mas isso não significa que eu deva desejar que, até lá, o controle de tudo esteja somente nas mãos daqueles que pensam igual a mim (bom, na verdade, sempre tive dificuldades de encontrar pessoas que tenham uma linha de raciocínio tão curiosa quanto a minha). Pelo contrário, hoje por conta do quanto aprendi com essas opiniões divergentes, passei mesmo a considerar que querer eliminar o que é diferente é fazer com que a minha vida fique estagnada e isso é definitivamente a morte para mim.

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