Estou trabalhando e como parte do que faço eventualmente acontece de eu receber a incumbência de passar conhecimento a outros. Particularmente eu amo isso e acho que é algo que, embora de maneira dura, eu faço muito bem. Na verdade, "dura" é modo de dizer... eu não fico dando frases prontas e definições próprias para o outro decorar. Infelizmente, eu só sei ensinar fazendo o outro pensar até rachar o crânio ou conseguir desenvolver um raciocínio para chegar ao resultado (o que pode ser bem frustrante para uns, cansativo e desanimador para outros).
Enfim, nos últimos dias, acabei recebendo a incumbência de passar conhecimento para um outro profissional. Ele é recém-chegado... tudo bem até aí. Ele tem pouca idade... tudo tranquilo também. Ele procura se esforçar para entender o que está acontecendo e isso é bastante bom. Mas... falta algo.
Por outro lado, ontem tive mais uma vez problemas com a minha filha. Eu soube que aconteceu um "mal entendido" (por assim dizer) em relação a questões escolares dela. Eu confesso que estou bem cansada dessa situação mas entendo que ela é criança e que se depender dela, nada vai mudar. Eu sei disso porque ela não tem maturidade para resolver a situação ou iniciar algo novo. É assim mesmo: crianças só fazem diferente quando são estimuladas a fazerem diferente.
Só que, olhando o quadro geral, a primeira reação é: "meu Deus, o que eu fiz para merecer isso???" (confesso que até em um tom carregado da indignação daqueles que se sentem justos o suficiente para se considerar injustiçados pela vida).
Sabe, por muito tempo eu andei sobre essa afirmação, considerando que esse era o raciocínio correto. Afinal, eu não fiz tudo o que podia? Até o dia em que eu realmente parei e fiz essa pergunta com honestidade para mim mesma e vi que talvez eu nunca tenha levado essa pergunta a sério mesmo...
O dia em que eu parei de reclamar da vida (confesso que não fiz isso em todos os aspectos mas espero que Deus me ajude a chegar lá em breve) e comecei a me perguntar constantemente o que eu poderia fazer diferente para que o resultado fosse diferente, as coisas começaram a mudar. A ordem do dia deixa de ser o "Ah... eu não mereço" para o "Ah... o que eu posso fazer diferente aqui?"
Claro que, passando a vida assim, o mundo fica mais delicado. As pessoas ficam mais frágeis e a carga parece mais pesada do que podemos suportar. Mas a verdade é que quando temos essa postura responsável, o mundo à nossa volta fica mais simples e menos frustrante. Isso significa que mesmo quando as pessoas não mudam e mesmo quando as circunstâncias não mudam, nós saímos delas com a certeza de que fizemos tudo o que podíamos.
Pessoalmente eu sei que, quando eu chego ao limite, Deus me mostra o que fazer... e normalmente é entregar a Ele a minha limitação e o meu esforço. Mas, não acho justo que deixemos tudo nas mãos Dele sempre como se Ele não tivesse nos dado a capacidade de realizar mil coisas por nós mesmos. Aliás, acredito ainda que viver uma vida que promove mudanças é honrar o que Ele nos deu.
Crianças sempre vão se espelhar nos adultos. Então, se as crianças estão fazendo algo errado, ao invés de "grudá-las na parede" ou gritar de modo histérico (embora seja bastante complicado não fazê-lo algumas vezes) o mais produtivo é nos questionarmos como a criança aprendeu aquele comportamento (descobrimos que normalmente é conosco mesmos) e como mostrar atitudes que criem para ela um contraponto naquele conceito já instalado, baseando a sua nova instrução.
Adultos quando agem instintivamente repetem aquilo que aprenderam ao longo da vida (e poucas vezes eu vi saírem boas coisas dessas situações). Então, como dizia um chefe meu, as pessoas frequentemente são incompetentes... muito mais vezes do que mal intencionadas. Cabe aí então alguém que, mesmo do lado oposto da situação, mostre que é possível agir diferente... e mais, que é melhor: para ele, para nós e para os que terão que lidar com as consequências dos nossos atos.
COncluo então com uma pergunta para mim mesma: eu penso no que quero colher quando estou plantando? Quem planta vento colhe tempestade... e quem colhe indiferença colhe amargura e solidão. Qual é a minha resposta?
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