sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Café adoçado com perdão
Aconteceu-me algo realmente curioso agora há pouco: decidi almoçar em um shopping próximo de casa porque lá poderia, além de me alimentar corretamente, fazer compras em uma loja que eu pretendia visitar e ver se tinha alguns artigos que ando necessitando. Aproveitaria e passaria na manicure (na verdade em uma manicure um tanto diferenciada, já que eles colocam unhas postiças, fazem artes nas unhas e mais um montes de frescurinhas que eu particularmente acho o máximo). Então, pouco antes do meio dia, saí de casa rumo ao tal shopping.
Chegando lá, almocei, andei um pouco, fiz umas comprinhas na loja cobiçada (para aliviar um pouquinho da minha culpa devo declarar que era uma loja de produtos alimentares naturais que vão ajudar-me em uma questão específica) e fui à tal manicure. Lá, entrei, pesquisei preços e opções e conversei com um rapaz que faz unhas artísticas. Papo vai, papo vem, lembrei que tinha uns itens na bolsa para fazer as unhas que ele tinha me oferecido, trocamos dicas mas na hora de marcar o horário acabou não dando porque a agenda deles não me cabia no horário que eu tinha disponível.
O que fazer então? Saindo da manicure tem um café e, ao passar por ele, vi que duas moças loiras se sentaram para apreciar seus cafés. Achei que as fisionomias não me eram estranhas. Afastando-me dois passos, reconheci a primeira delas... é claro que eu não me esqueceria daquela fisionomia, só não foi imediato porque anos se passaram... mas era ela mesmo. Ali, naquele café, estava a mulher responsável pela minha demissão há oito anos atrás.
Na ocasião, eu saí da empresa com muita mágoa no coração. Não que eu tivesse dado muito de mim ali, até porque fiquei pouco tempo mas acho que um misto de coisas me fizeram sentir-me injustiçada:
- Eu sabia que ela, que era a minha coordenadora porque o meu gerente havia me promovido, estava naquele posto porque ela era amante dele, mesmo contra todas as regras da empresa em relação à relacionamentos pessoais com colegas de trabalho, especialmente naquele caso em que ele era chefe direto dela e isso era completamente proibido;
- Eu tinha entrado naquela empresa porque estava com sérios problemas de saúde no emprego anterior e, na verdade, fugi então para a alternativa que parecia mais fácil mas, no fim das contas, foi aparentemente pior porque eu tinha sido demitida;
- Não era porque eu não estava batendo as minhas metas e sim porque ela simplesmente não gostava de mim e isso acontecia porque eu não fazia o menor esforço de agradá-la pessoalmente, ou seja, não ficava dando sorrisinhos ou cedendo a caprichos velados que outras pessoas da equipe cediam (eu achava aquilo ridículo e acabei perdendo o emprego);
- Eu realmente precisava da renda porque sem ela eu e minha família estaríamos em apuros financeiros sérios. Aliás, já estávamos por conta de uso de dinheiro emprestado de modo nada sábio e aquela situação poderia ser a nossa (no caso a minha como pude constatar depois) ruína no mundo do crédito por anos
Enfim, saí dali falando mal dela para todo mundo que me perguntasse e nunca esqueci o seu nome. Poucos meses depois soube que ela estava grávida do primeiro filho com o gerente e ele, por conta das regras da empresa, saiu dali, deixando-a com o emprego e a estabilidade mas assumindo a relação e casando-se com ela. Fiquei mais magoada ainda porque tive a certeza de que a falta de argumentos dele no momento de me demitir não era surpresa pela minha grosseria mas sim pela falta do que dizer considerando que as minhas acusações de que eu estava sendo demitida por um capricho dela (que era amante dele e eu sabia) eram verdadeiras.
Guardei essa mágoa por anos, mesmo tendo depois de três meses entrado na empresa em que estou até hoje. Com o tempo, entendi que ela na verdade me permitiu que eu aprendesse a lidar com coisas no mundo corporativo que, de outra forma, eu não teria aprendido. Além do mais, se ela não tivesse causado aquela situação, eu não teria saído e nunca teria ganho o emprego que Deus me deu de presente de aniversário naquele ano (o atual). Então, um dia, eu pude perdoá-los: perdoei a ela, ao seu marido, aos meus colegas e todos aqueles com quem me relacionei naquela empresa.
Mas nunca nessa vida imaginei encontrá-la novamente. E curiosamente, a primeira coisa que saiu da minha boca quando a vi foi: "Meu Deus, a bruaca!!!!"... que absurdo, afinal, eu a tinha perdoado. Envergonhei-me e fui me afastando e quando me distanciei uns cinquenta metros algo dentro de mim dizia fortemente: "volte e peça perdão" e insistia comigo. Eu considerei a situação por um tempo razoável e fiquei pensando que ela teria a certeza de que eu sou maluca. Mas, quem se importa com a opinião dela neste caso? Se aquela era a voz do Espírito Santo, a opinião de mais ninguém faria diferença. E, sinceramente, não acho que o diabo sugeriria que eu pedisse perdão a alguém...
Meio desconfortável, aproximei-me dela e puxei assunto. Vi que a outra moça também era funcionária lá e da mesma época que eu. Expliquei à minha antiga coordenadora que ela tinha marcado a minha vida porque, mesmo de modo desagradável, o que aconteceu comigo fez com que eu crescesse e pudesse usufruir de outras coisas melhores. Não a acusei mas expliquei que saí bem magoada com ela e pedi perdão por isso. Expliquei ainda que sabia que para ela não fazia sentido nenhum aquilo tudo mas que para mim fazia e ela disse que se lembrava da minha fisionomia mas não sabia da minha mágoa e nem sabia ao certo quem eu era. Conversamos por uns quinze minutos e foi bastante bom: atualizamos algumas coisas do que aconteceu e ela mesma reconheceu que quando as coisas não são do jeito dela ela fica bastante infeliz e não aceita a situação, mesmo que seja com um funcionário. Contou-me ainda que tem dois filhos com ele e que ambos trabalham na mesma empresa: as regras mudaram e ele voltou.
Confesso que saí dali tão atordoada que peguei as minhas coisas e vim embora para casa. Ainda não sei bem qual é o propósito disso tudo mas tenho a certeza de que Deus não arranja situações como esta em vão e que coincidências e acaso não existem. Creio que Deus me deu uma oportunidade de resolver algo que esteve dentro de mim e até colocou no meu coração uma vontade intensa de orar por sua família e sua salvação. Não sei nada deles, nem sei como levam as suas vidas mas como todo ser humano eles precisam de Deus e eu, a partir de hoje, oro por eles constantemente.
Talvez eu nunca saiba qual o impacto desse encontro na vida dela ou da outra moça que tomava o café ali também. Só sei dizer que para mim, além do alívio de ter a certeza de que, como diz a Bíblia em 1 Samuel 15:22, é melhor obedecer do que sacrificar. De verdade, não o fiz por medo da punição de Deus mas muito mais por curiosidade do que viria a seguir porque, como lembrou a minha irmã ao ouvir a história, a palavra do Senhor nunca volta vazia.
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