Hoje eu li em uma camiseta aquele versículo que diz: "Mas em todas as coisas somos mais do que vencedores por meio Daquele que nos amou" (Romanos 8:37). Este é um versículo bem popular no meio cristão porque traz alento e esperança. Mas, se mal interpretado, acredito que possa trazer mais frustração do que alegria.
Quando falamos em sermos vencedores, fica subentendido para mim que então enfrentamos uma batalha e que obtivemos uma vitória sobre o nosso inimigo. Então, a primeira pergunta é: qual é exatamente a nossa batalha (ou qual deveria ser)? Na Bíblia mesmo fica claro que a nossa luta não é contra carne ou sangue (Efésios 6:12), ou seja, não é contra as pessoas mas é contra o mal que impera dentro delas (ou mais justamente, dentro de nós todos muitas vezes).
Quando eu penso em batalha, eu logo me lembro daqueles filmes épicos de lutas em campos enormes com espadas e cavalos e bandeiras, cheios de sangue e suposta honra aos vencedores. Mas, hoje me dei conta de uma coisa: esse tipo de vitória em que outra pessoa está morta, completamente destroçada, só é mesmo considerada uma vantagem quando o seu inimigo é o ser humano, a carne e o sangue. Então, se esse não é o nosso inimigo, por que insistimos em matar o nosso próximo?
Claro, muitas vezes não matamos fisicamente, mas matamos seus sonhos, sua esperança, seus planos, sua fé, sua autoestima, sua honra, sua dignidade e seu caráter sem tocar em um fio de cabelo do outro. E mais, conheço pessoas que vibram verdadeiramente quando percebem que conseguiram este tipo de resultado sobre o seu "oponente". Só que, neste caso, matar é infinitas vezes mais fácil do que gerar ou sustentar a vida. Por causa disso, entendi que, quando Paulo disse o que foi escrito na carta aos romanos (8:37), ele quer dizer que a nossa vitória deve ser a geração ou sustentação da vida e não a promoção da morte.
E faz todo o sentido, já que Cristo é O caminho, A verdade e A vida (João 14:6). Ou seja, se somos cristãos, e portanto imitadores de Cristo, devemos seguir os passos Dele. Ora, se Ele é A vida, então devemos promover exatamente isso: vida. Nossas palavras devem então promover a alegria e a esperança; nossos planos devem almejar a paz e o entendimento entre as pessoas; nossos atos devem demonstrar amor e perdão genuíno.
Mas, se nada disso é verdade na sua vida ainda, diga-me então: a quem você tem imitado? Àquele que considera a vida como vitória? Ou a morte?
Nenhum comentário:
Postar um comentário