segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Parametrizando a vida


Trabalho, como já mencionei algumas vezes, com implantação de sistema. Ou seja, teoricamente, o que faço é transformar em "código" no computador tudo aquilo que o cliente aplica na prática quando vai analisar alguém que está pedindo um crédito na instituição. Só que a prática acaba sendo ligeiramente diferente disso.

Curiosamente, trabalho na mesma empresa há oito anos e, desde que cheguei, passei por diversas áreas. Algumas vezes mudei de área porque ganhei uma oportunidade dos meus superiores de fazer algo novo; outras vezes fui mudada para ser mantida na empresa. Em todas as situações, o Senhor se fez presente me concedendo graça, perdão e principalmente mais uma oportunidade de estar exatamente onde Ele queria que eu estivesse.

Voltei a esta área em que estou faz um ano. De lá para cá muitas coisas aconteceram. E cá estou eu, parametrizando mais uma política de crédito para um cliente (aquele de Porto Alegre ainda) e estamos, em tese, na fase final. Eu não ligo quando um trabalho demora para ser concluído mas me incomoda quando vejo que demora e o cliente fica incomodado com isso. De resto, eu sigo sem grandes agitações atualmente.

Na última semana estamos enfrentando um período de inserções de melhorias e correções ou ajustes de coisas que deveriam funcionar de uma determinada forma e não estão como foi solicitado. Confesso que me sinto um pouco frustrada quando isso acontece e fico olhando para o que fiz e pensando porque eu fiz determinada coisa daquele jeito. Aprendi que para simplificar o meu trabalho eu devo sempre fazer comentários sobre o que fiz porque depois de um tempo eu já não lembro exatamente porque optei por fazer daquela forma. Mas nem sempre eu consigo fazer isso e acabo perdendo tempo depois para lembrar porque a coisa foi feita daquela forma. E sinto-me meio boba por não ter feito os comentários que devia.

De qualquer forma, estamos em um ponto em que estou ajustando algo que nunca tinha feito antes. Aliás, essa implantação tem sido um desafio de diversas formas e a primeira delas é que a política é diferente de tudo o que eu tinha feito até então. Isso foi bem estimulante (e ainda é) e eu conto com o entusiasmo do cliente na criação de novas coisas e melhorias de pontos que podem ser mais assertivos.

Por outro lado, de vez em quando tem sido bem frustrante... eu olho para o que fiz, tento entender porque não produz o resultado esperado (aliás, às vezes tenho que lembrar qual era o resultado esperado) e fico pensando em como chegar a este resultado. Confesso inclusive que, em alguns momentos, tive que pedir a Deus para me dar capacidade analítica extra para resolver uma situação, já que eu vi que por mim mesma não ia rolar. E, graciosamente, Ele me atendeu e me ajudou a achar uma solução.

O que me dei conta hoje é que as políticas que crio aqui são quase um espelho da minha vida porque:
- Elas tem começo, meio mas nem sempre tem fim;
- De vez em quando tenho que fazer coisas básicas que já fiz dúzias de vezes e mesmo assim não posso deixar de fazê-las;
- Um dia, de repente, eu percebo que aquela coisa que eu já fiz várias vezes do mesmo jeitinho eu posso fazer melhor e mudo a maneira de fazê-la;
- Tem coisas que eu posso reaproveitar economizando tempo mas elas não podem servir para eu me acomodar ou me achar melhor do que os outros profissionais;
- Quando tenho um desafio facilita explicar a outros colegas o que preciso fazer: às vezes eles me dão dica e ajudam muito mas, às vezes, só por ouvir ou questionar algo, já me fazem ver que há um "furo" ou uma falha, me permitindo corrigir pontos específicos;
- Por mais que seja chata determinada tarefa, eu preciso que ela seja concluída. De vez em quando um colega já fez algo assim e nós compartilhamos mas, na maioria das vezes, eu tenho que fazer mesmo;
- Quando faço algo novo, preciso repassar esse conhecimento para os outros, afinal, não é justo e nem faz sentido deixar os colegas passarem pela mesma dificuldade que eu já passei e resolvi;
- Quando encontro um problema, preciso dar foco para resolvê-lo;
- Quando acho uma falha, embora eu tenha vontade de fugir dela e esperar que ela se resolva, eu simplesmente não posso ignorá-la e tenho que enfrentá-la até que ela seja resolvida;
- Às vezes não tem jeito... a coisa quebra e eu definitivamente não faço a mínima ideia do porquê... e aí, só Jesus na causa mesmo (e funciona, viu?);
- Por mais que eu queira explicar o que estou passando, muitas vezes as pessoas não entendem o tamanho que aquele desafio ou conquista tem para mim;
- Não posso cair na tentação de me sentir "especial" porque consegui fazer algo que os outros ao meu redor não conseguiram, especialmente quando não fui eu quem conseguiu e sim Deus;
- Não importa o que aconteça: não estou fazendo isso para me agradar e sim ao cliente mas, por outro lado, não posso perder o prazer da caminhada, senão, concluir a parametrização torna-se praticamente insuportável;
- No fim das contas, não vou receber uma enorma congratulação pelo que fiz, por mais difícil ou fantástico que seja... bom, até posso mas, de verdade, não posso contar com isso porque senão deixo de cumprir o meu papel que entendo que é fazer o melhor abrindo novas possibilidades sempre.

E de repente, através dessa reflexão, mais uma vez, vejo que estou exatamente onde deveria estar. Como diz em Isaias 62:10-12: "Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aplainai, aplainai a estrada, limpai-a das pedras; arvorai a bandeira aos povos.
Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que com ele vem o seu galardão, e a sua obra diante dele.
E chamar-lhes-ão: Povo santo, remidos do SENHOR; e tu serás chamada: Procurada, a cidade não desamparada.", é isso que devo fazer. E é isso que Ele tem cumprido em minha vida.

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