Hoje eu fui ao parque com o meu cachorro. Andamos cerca de um quilômetro até lá, e claro, por ele não ter costume de andar muito, ele ficou bem cansado. Tanto que, ao chegar, precisamos sentar para que ele pudesse descansar antes de continuarmos o passeio.
Sentamos então em uma arquibancada em que tinha uma série de pessoas assistindo a uma jogo de futebol, e por "acaso" sentamos do lado de um pai com seus dois filhos e uma cachorrinha também. Nos acomodamos e logo em seguida eu notei que a cachorrinha começou a ficar agitada. Olhei, e vi que a questão era o meu cachorro, que na verdade não estava dando a mínima para ela.
Mais um tempo se passou e a cachorra começou a choramingar. Acho que a intenção dela era provocar uma reação no meu cachorro, mas para a infelicidade dela, não fez efeito, e ele continuou sentado no meu colo placidamente, procurando descansar da caminhada que fizemos até ali.
Como não adiantou, a cachorra começou a latir na direção dele. E mais uma vez, meu cachorro continuou na mesma situação: nem tomando conhecimento da existência dela, já que o foco dele era realmente descansar apenas. Ela foi se agitando mais e mais, tentando chamar a atenção dele, e de repente, aquilo começou a me dar uma certa tristeza...
Olhei para aquela cachorra e, vendo a reação do meu cachorro, vi como muitas mulheres reagem quando veem um homem que pode interessá-las, mesmo quando eles não tomam conhecimento sobre a existência delas. Vi, mesmo naquele singelo ato instintivo de uma cadelinha, como muitas mulheres se portam querendo controlar a reação de um homem, quase querendo controlar o desejo deles, ou querendo ainda ser notadas por um cara que não está nem um pouco preocupado em ter uma mulher na vida deles.
A tristeza veio porque, por algumas vezes inclusive, eu agi daquela forma, e hoje sei que agia assim por causa de não saber quem eu sou e não conhecer o meu valor. E vejo que nos momentos de "amnésia existencial", o instinto era agir dessa mesma forma, esperando que o outro responda aos apelos de alguém desesperada. Hoje, claro, isso não tem sentido (bom, nunca teve, mas no passado parecia tão correto), mas por ser um comportamento vivido por anos, às vezes, quando o foco embaça, passa pela cabeça o pensamento de agir como aquela cachorrinha.
Deus nunca quis que eu ou você agíssemos assim, mas quem disse que a gente tem peito suficiente para parar de querer aquilo que queremos e entregar as decisões para Deus em todos os sentidos? Até que se conheça Deus de perto, deixar as coisas na mão Dele não parece algo seguro, e parece que se não fizermos nada, definitivamente a coisa toda não vai andar, e no fim, continuaremos sozinhas e sem um companheiro.
Isso é uma tremenda mentira, já que Deus, o Criador de todas as coisas, tem o melhor para nós, inclusive o tempo para cada uma das coisas. Mas para quem está acostumada a decidir tudo sozinha e fazer as coisas por si só sempre, de fato esse negócio de depender de outros (especialmente de Deus, que é alguém que não se vê), pode parecer muito mais complicado do que parece.
Com o passar dos dias na presença Dele, fica claro que esse tipo de comportamento da cachorrinha é só mesmo mais uma armadilha, que não só afasta o homem, como também gera mais rejeição e mais frustração para a mulher, causando mais tristeza e reações que fazem cada vez menos sentido. Fica claro também que esperar aquilo que Deus planejou é, além de um alívio, uma benção, porque enquanto somos preparadas por Ele, estamos curtindo o melhor de cada fase, sem arrependimentos futuros e sem frustrações sobre homens que não ligam, não se importam ou não podem dar o melhor de si para nós.
Por fim, isso me lembra de uma passagem em que uma mulher pede a Jesus um milagre e Ele diz não poder atendê-la por não ser judia, e ela, em fé, coloca-se na posição inferior e explica que ela não quer o melhor, apenas as migalhas, porque vindo Dele, seriam mais do que suficiente. Claro, neste contexto, ela negociava com Jesus, o Filho de Deus, que obviamente não faria algo pela metade para ela, e neste ponto ela tinha razão: ela pedia à Pessoa certa, e por isso não seria decepcionada. Mas fica também o lembrete de que, para os filhos, Deus não tem migalhas, não tem mendicância, não tem desilusão ou sofrimento amoroso. Tem sim desafios e crescimento, mas nada de correr atrás de alguém que nem sabe que existimos. Ele tem o melhor, e isso é mais do que o suficiente!
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