terça-feira, 3 de novembro de 2015

Renovar a mente é preciso!

Hoje eu recebi de novo por e-mail um conteúdo que mostra uma campanha feita por uma empresa de creme dental sobre como um dente sujo pode distrair a visão da pessoa de coisas muito mais sérias em uma imagem. A campanha tem três peças, e em cada uma delas existe uma aberração criada com o propósito de provar o ponto do fabricante: em uma a moça que abraça o rapaz com o dente sujo possui um sexto dedo na mão (colocado até meio grosseiramente para forçar um certo destaque), na outra, o braço da moça está em uma posição absolutamente impossível, já que o ombro do rapaz passa por cima do dela (e na foto o braço dela abraça o pescoço do rapaz), e na terceira o rapaz não tem uma orelha. O curioso é que, mesmo parecendo alterações até grosseiras, de fato elas passam despercebidas por causa do dente sujo no meio da foto.

No material recebido não vem a explicação do porque o cérebro humano processa algumas coisas e nota mais rápido certos problemas do que outros, mas não é no mínimo curioso que um pedaço de alface no dente seja mais notado do que um sexto dedo na mão?

Isso me faz pensar que de verdade o cérebro pode adotar critérios estranhos para definir o que é prioridade no julgamento de outro. Digo isso porque, olhando friamente, a sujeira no dente é provisória, e pode até ser sido um descuido, mas é fácil de resolver e, de verdade, é algo bem pouco relevante. Já a falta de uma orelha é algo que, além de provavelmente não ser culpa da pessoa sem a parte em questão, não é nada simples de se resolver e traz vários problemas ao portador dessa condição.

Esse material, que veio hoje de novo para mim, veio bem a calhar, já que passei os últimos dias processando algo que ficou bem claro para mim que, no fundo, foi mais um truque em que a minha mente caiu do que efetivamente um problema.

No domingo percebi e ouvi coisas relacionadas a não saber amar. Muitas delas inclusive. Algumas pequenas, e outras bem pesadas. E de lá para cá, me deixei abater por pensamentos e sentimentos de frustração, incompetência e inadequação, enquanto na verdade, o maior problema era mesmo não saber identificar o que é permanente e o que é passageiro.

Sim, eu sou limitada, e sim, eu não sei amar como Deus é. Sim, eu tenho dificuldades, e tenho pensamentos egoístas, e sim, eu perco o foco com facilidade, infelizmente. Quando eu oro, em mais momentos do que eu gostaria, eu começo falando com Deus e acabo me distraindo com a lista do supermercado ou com outra atividade muito menos importante. Eu não sei valorizar as pessoas como deveria, e não sei muitas vezes demonstrar em palavras aquilo que está dentro de mim de verdade. Aliás, graças a Deus, porque infelizmente, às vezes, o que tem dentro de mim não é bom!

Mas o mais importante não é nenhuma das sujeiras que por um momento ou outro se prendem à minha alma, e esse foi o grande erro destes dias: deixar meu cérebro me distrair com pensamentos de inadequação ao invés de olhar para Aquele que me convida o tempo todo a desfrutar de uma realidade que, sozinha, eu nunca teria acesso. Olhar para os "pedaços de alface nos dentes da minha mente" me fez perder a visão de que a deformidade de verdade está no meu caráter pecaminoso, mas que todo mundo é assim, e que Deus, em Seu infinito amor e Graça, me convida sempre para ser curada e viver acima das coisas passageiras.

Como eu ouvi, me comparar com outros só piora a situação, porque a sensação de inadequação aumenta... e a mente, essa traiçoeira (quando associada ao coração), nos faz focar em algo que não faz o menor sentido...

Mais uma vez, renovar a mente é a ordem do dia! Se eu estivesse cuidando melhor daquilo em que aplico meus pensamentos, e estivesse mais atenta ao que Deus estava falando, provavelmente teria me desesperado menos. De qualquer modo, sei que Deus permitiu tudo isso também para que eu visse a quem eu recorro e com quem posso contar. Acima de tudo, para que eu me rendesse e aceitasse que muitas coisas simplesmente não vou conseguir fazer sozinha, e para elas vou precisar de ajuda de Deus e de muitas pessoas ao meu lado, escolhidas a dedo por Ele.

Por fim, fica a dica para a próxima dessas: antes de reagir, respirar, e voltar para Deus, perguntando o que Ele acha de tudo o que vem à minha cabeça. Se a minha opinião bater com a Dele, o lance é se entregar logo e deixar Ele agir. Se não bater, desistirei logo do que me ocorreu e, como uma criança vendo seu Pai chegar em casa, eu vou correr para Ele, e esperar que tudo vá embora enquanto me aqueço no Seu abraço.

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