Neste final de semana com feriado prolongado tive a oportunidade de ir ao cinema assistir ao novo filme do Mogli. Bom, eu vi muitas coisas simpáticas no filme, e vi nele uma bela produção digital, mas além de toda essa preparação técnica do filme, algo logo de início me chamou a atenção: o filme coloca que existe uma lei na selva, e uma das primeiras coisas que é dita é que "a força da alcatéia é o lobo, e a força do lobo é a alcatéia". Fiquei a meditar sobre isso...
No dia seguinte, tive a oportunidade de pegar um ônibus para ir até que relativamente próximo da minha casa, mas como eu não tenho mais o hábito de usar esse transporte, foi uma experiência que eu percebi que me trouxe algo que perde-se quando a gente só anda de carro (além do condicionamento físico, claro): a convivência involuntária. Digo isso porque hoje em geral convivo com quem escolho conviver, e não tenho que ficar lidando com pessoas desconhecidas muitas vezes. Até para fazer as coisas do cotidiano acabo fazendo perto de casa e portanto encarando e lidando com as pessoas que são mais ou menos conhecidas, e são quase sempre as mesmas.
Enfim, nesse dia, eu estava no ônibus e comecei a ouvir a conversa de duas senhoras falando sobre alguém que aparentemente não quis colaborar com algo que uma delas solicitou. Não entendi direito a história e na verdade, nem fiquei prestando muita atenção, até porque eu não acho exatamente elegante ficar ouvindo a conversa alheia. De qualquer modo, foi inevitável ouvir o que uma delas falou para a outra... ela disse que "não adianta ser bonzinho ou educado porque no fim a gente só 'toma na cabeça' mesmo", deixando clara a sua frustração em relação a não ver recompensa quando se faz algo de bom para o outro.
Confesso que depois muitas coisas se passaram na minha cabeça, mas a primeira foi a frase do filme, mais especificamente o trecho falando sobre a força da alcatéia ser formada por cada lobo. Fiquei pensando que, no fundo, reagir à falta de educação ou de colaboração alheia com a mesma atitude não resolve em nada, e aliás, piora as coisas, porque só se alimenta um ciclo vicioso e danoso. Então, fiquei pensando nessa decisão de reagir daquela senhora provocando mesmo uma reação em cadeia, e pensei que, de verdade, muitas vezes, sem a gente se dar conta, uma atitude nossa pode causar reações e desdobramentos que não conseguimos mensurar.
Pensei ainda que, no fundo, a sociedade é a expressão do que cada pessoa é individualmente, e que quando fazemos o que temos de melhor, procuramos tornar o nosso mundo e quem faz parte dele um mundo melhor. E que se entregarmos às pessoas o que elas nos dão, a gente só mantém o mesmo exemplo e padrão que a pessoa já tem, e não dá a oportunidade dela de enxergar uma outra forma de ver as coisas e nem de aprender algo novo (que inclusive valha mais a pena do que o que ela está fazendo). Se não mostrarmos algo novo, como as pessoas terão novos aprendizados?
Pode ser que eu não mude a sociedade toda, mas tal qual o menino que vendo as estrelas do mar sobre a areia decide jogá-las de volta na água, eu decido tentar, mesmo sabendo que não vou impactar todo mundo. Aquele menino da história, quando questionado por um homem que passou por ele sobre a inutilidade de tentar devolver todas as estrelas do mar para a água (coisa que o menino nunca conseguiria fazer já que eram muitas), explica que pode não fazer diferença para todas, mas para aquelas que ele conseguir salvar, ele sabe que fará toda a diferença, e isso o faz ir adiante. Se eu puder, com um exemplo diferente, trazer um novo padrão ou um questionamento a pelo menos uma pessoa nova de vez em quando... então para aquela pessoa, eu posso tornar-me inesquecível. E mais que isso: mesmo sem longos discursos, posso com uma atitude simples mostrar na prática amor, gentileza e ser muito mais cristã do que muita gente que fala, fala, fala mas tem suas palavras abafadas pelo volume com que gritam suas atitudes incoerentes.
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