Hoje é o dia de embarcar. Acordei e já tinha em mente começar o dia passando nem que fosse um pouquinho do tempo com a minha mãe, de modo que eu pudesse pelo menos agradecer a ela esse tempo em que ela tem me suportado, me aguentado muitas vezes, me amado e cuidado das coisas de modo surpreendente. Tomamos café e de algum modo promovemos uma Santa Ceia, agradecendo a Deus ali pela vida uma da outra e selando esse tempo novo.
Dali, fui rever o que precisava fazer ainda, já que tinha a impressão de várias coisas pra fazer (queria deixar tudo preparado pro caso de precisar na imigração), além disso, precisava rearrumar a segunda mala que, pela quantidade de livros, ficou pesada demais, e fora disso eu ainda queria levar algumas lembranças a uma amiga e também tomar banho e terminar de arrumar a mochila antes de ir. Ah, e minha mãe pediu pra que eu levasse dois edredons na lavanderia... ou seja, pressão total, especialmente pra quem saiu da mesa do café da manhã as oito e meia da manhã, tendo um voo internacional saindo as 15:45. Observação: não recomendo essa atitude no dia de viajar pra ninguém! A não ser que a pessoa seja muito organizada e muito acostumada com viagens, a pessoa só se dá oportunidades de ter problemas no dia de ir embora se arranjar coisas pra fazer. Acho que o mais sensato seria ficar mais em casa mesmo, e no máximo fazer uma excelente refeição com alguém bem próximo pra que não aconteça de surgirem problemas de última hora.
Bom, no meu caso deu tudo certo, mas eu já tinha tudo meio encaminhado, e pra viajar eu sou bem esperta até. As impressões eu já tinha colocado todas em um pendrive e só precisava ir na lanhouse, e eu já tinha separado uma pastinha aonde colocaria todos os papéis. Os edredons eu já tinha separados, os presentes também. Tudo bem que tive que escrever cartinhas pra acabar de fechá-los, e tinha que ir até o trabalho da minha amiga, mas a temperatura favoreceu (a chuva parou e não estava nem frio e nem quente demais) e o local era próximo de casa, e naquele horário, de carro, não haveriam problemas. Então, tudo correu bem, mas fica uma lição: não queira fazer tudo ao mesmo tempo. Eu adquiri um hábito terrível de eventualmente gravar mensagens de áudio para enviar pelo celular enquanto dirijo e, claro, na afobação, fui fazer isso e dei de cara com um guarda de trânsito, o que me rendeu muito provavelmente uma multa bem desagradável pra volta... enfim, penso em como resolver isso em 30 dias, mas a lição fica para todo o sempre.
Na volta, acabei passando pela casa da minha irmã mais velha pra imprimir as coisas e foi ótimo porque fiquei com ela mais um pouquinho e foi uma espécie de despedida para este tempo. E fui com ela na lavanderia, e depois pra minha casa (tudo perto) e acabei de arrumar o que precisava, tomei banho e a nossa irmã do meio chegou pra nos levar ao aeroporto. Fomos as três e mais a minha mãe pro metrô, a mais velha ficou por lá e seguimos para Guarulhos. Lá fizemos o check in, almoçamos e logo elas foram embora... e eu fiquei perambulando pelo saguão de embarque, olhando como as coisas são caras, e como a gente se encanta com coisas que quase nunca precisa mas que acha que farão nossas vidas incrivelmente preenchidas... ledo engano!
Dali em diante, a viagem foi tranquila mas ao mesmo tempo cheia de reflexões, algumas muito intensas mesmo. Assisti a um filme que conta a história de duas amigas, uma com câncer e uma que engravida na mesma época.. me fez pensar no quanto a vida é frágil e em como é fácil nos prendermos e nos focarmos em nós mesmos e em nossas situações difíceis... e que, mesmo que elas sejam super difíceis, de fato sempre temos uma oportunidade de fazer algo melhor com o que estamos vivendo.
Decidi também deixar para trás tudo aquilo que me atormentava em termos de vida pregressa. Claro que muito eu já tinha largado, mas o pouquinho que sobrou foi-se embora de vez no oceano, de modo que a vida agora é completamente nova, e que definitivamente, eu me abro pro milagre de Deus em mim. Ou seja, as lágrimas daqui em diante serão ou de alegria ou de sofrimento por coisas reais e presentes, não por algo que já aconteceu e que nunca mais voltarão, boas ou ruins.
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