Depois de passar alguns dias na Alemanha, vi que o meu lar sempre fica no lugar em que as pessoas que eu amo verdadeiramente estão. Notei que estar sem pessoas com quem eu tenho uma ligação profunda faz com que eu me sinta mesmo bastante sozinha, e honestamente eu me assustei pela rapidez com que cheguei a esse ponto de estranhamento e solidão. Eu que achava que era tão desconectada e independente de muitas coisas, de repente, me sinto frágil e muito solitária. Ruim por um lado, bom por outro. O lado negativo foi que eu vi que, se eu não tomar cuidado e mantiver o foco, eu posso procurar alguma coisa que não faz sentido para preencher o vazio intenso que se apresenta. Bom porque eu já sei o que resolve isso: o contato com o Espírito Santo, e a permissão de que Ele faça-se presente mais do que nunca em minha vida e preencha cada buraquinho que eu nem imaginava que existiria.
Uma coisa que eu notei é que esse tempo vai me deixar certamente (já tem deixado) muito mais desprendida de muitas coisas relacionadas a conforto e autopreservação. Dividir cama, por exemplo, é uma coisa que eu definitivamente nunca gostei (mesmo em relações com homens sempre tive a dificuldade por conta de movimento do outro, roncos, manias, luzes e barulhos) e aqui tenho enfrentado sem chance de escapar. Outra coisa é depender do cuidado de outros. Por um lado, quando é alguém que eu conheço é bem gostoso, mas quando é alguém que quase não sei nada fica bem mais complicado. No fundo, o cuidado vem de Deus e eu estou errada por me incomodar com o meio, já que o crédito é sempre Dele, mas a percepção disso tem vindo mais profundamente agora.
Dividir a casa com outras pessoas parece que será um próximo desafio também, já que eu mesma nunca quis isso (a não ser com familiares e mesmo assim alguns poucos apenas), e isso agora é realidade. Nada que eu não soubesse que enfrentaria, mas agora que estou passando realmente vejo que ainda tenho muito a aprender nesse sentido. Curiosamente sinto-me concluindo coisas que me dei conta de que precisaria resolver há três anos atrás, lá na África, mas que fiquei enfrentando muito aos poucos (ou quase nada na verdade).
Mas uma coisa que percebo é como realmente a tecnologia tem trazido benefícios para quem mora tão distante dos seus. Fico pensando como deve ter sido super duro para quem saiu de seu próprio país deixando família anos atrás, que dependia de cartas para saber notícias de seus amados, demorando dias e dias para ter alguma novidade. Hoje é tudo muito mais rápido, e telefonar ou mandar mensagens de texto e áudio é mais barato e praticamente na hora. Estamos mesmo numa situação muito privilegiada nesse sentido. Talvez, é verdade, isso nos roube a oportunidade de um aprofundamento em Deus exatamente nesse tempo de solitude forçada, mas acho que agora é mais do que nunca uma questão de escolha, e não de falta de opção.
No fim das contas, vejo que Deus está definitivamente me livrando de conceitos e questões secundárias para que eu possa realmente abraçar uma vida plena com Ele, o que é excelente! Acredito que, ao final desse período de um mês, a pessoa que volta ao país de origem certamente não será a mesma que veio, e dessa vez a serenidade e a simplicidade estarão muito mais instaladas em mim do que eu jamais poderia imaginar. Deus é realmente muito Bom!
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