quarta-feira, 12 de julho de 2017

Não tem a ver comigo...

Estava eu conversando sobre certas questões no trabalho com um colega/ amigo/ irmão/ pai e, em certo ponto da conversa, entendemos que o recurso mais raro que se tem é o tempo. É um recurso difícil de gerir, um recurso difícil de entender como lidar com sabedoria, e principalmente, de ter discernimento sobre como avaliar em termos de investimento. Afinal de contas, quando estamos dentro de uma certa situação, como ter a certeza de que é o momento de ir adiante ou de ficar no mesmo lugar?
Claro, não estou falando sobre pessoas que não tem Deus, porque pra essas, não é difícil: é verdadeiramente uma loteria. Isso porque, como um ser limitado e temporal poderia ter visão muito mais longa do a sua própria existência, por exemplo? Possível? Sim, mas muito difícil, quase impossível de fazer o julgamento correto.
Mas, e pra quem tem Deus? E pra quem entregou a vida a Cristo e é moradia do Espírito Santo? Por que ainda parece tão difícil? Então... na teoria não parece, mas na prática, ouvir a Sua voz (pelo menos pra mim) nem sempre é tão simples assim. Calar as demais vozes, discernir qual é a Dele e quais são vozes que não me levarão a nenhum lugar... inclusive a minha mesma... tudo isso é lindo na teoria, mas na hora de praticar eu ainda me enrolo um bom tanto.
Enfim, durante a discussão, recebo a seguinte mensagem:

"José saiu do Poço!
Daniel saiu da Cova!
Jonas saiu do Peixe!
Lázaro saiu da Sepultura!

Entendeu?
Nenhum escolhido que entrou na prova, morreu dentro dela!
Então se levante e lute pelo seu milagre, pq deserto ñ é lugar de morada e sim de passagem.
E vc é uma escolhida"

Pois é... deveria ser uma resposta?
A primeira coisa que entendi é que preciso conhecer mais sobre esses homens cujas histórias estão contadas na Bíblia. Digo isso porque, conforme conversava com o colega/amigo/irmão/pai, mostrei a mensagem, e vimos que, em determinados momentos, esses homens mencionados passaram por grandes dificuldades, e em outros momentos, eles simplesmente se moveram (ok, com exceção de Lázaro, que não fez absolutamente nada, apenas sair da tumba quando Jesus o chamou). Pior: eles passaram por aquelas situações porque não tinham opções... ou tinham?
José saiu do poço, mas saiu como escravo, e por lá (nas masmorras) ficou por anos. Daniel também era escravo num contexto em que todo o seu país foi conquistado e ele, por ser jovem e sábio, foi escolhido para servir diretamente ao rei. Jonas era um irritado que não queria falar do amor de Deus aos ninivitas e só saiu do peixe porque depois de três dias, Deus fez com que o peixe o cuspisse. E Lázaro... bom, esse morreu pra ser usado como um milagre para o povo da sua época. Ou seja, no fundo, a grande participação deles no fim das contas, foi estar num contexto difícil, e simplesmente ser alvo da Graça e da ação de Deus sobre as suas vidas. Simples assim...
José não podia fazer nada pra sair do poço. No que dependia dele, a morte era certa, porque simplesmente não tinha recursos para sair dali, e nem pra manter-se vivo por si só. José saiu dali porque um dos irmãos teve medo de matá-lo e acabou chamando um grupo de vendedores de escravos, e por ele ser jovem e forte, foi comprado por eles e levado ao cativeiro.
Daniel era escravo, e embora tenha caído nas graças do rei, isso aconteceu somente porque ele se manteve coerente àquilo que ele cria, mesmo em meio a um contexto que o convidava a jogar fora tudo o que ele cria. No seu caso, a sua postura fez diferença.
No caso de Jonas, ele morreria mesmo dentro do peixe, porque não tinha como, por meios próprios, sair dali. Deus o tirou de lá, penso eu, porque em algum momento, ele se rendeu à vontade de Deus, e isso o levou ao próximo passo.
E Lázaro... bom, ele não tem nem ao menos uma palavra registrada na Bíblia, e honestamente, ele morreu... como ele poderia ter impedido isso? Certamente que não quis ficar doente, e certamente que fez tudo o que estava ao seu alcance para manter a vida. E mesmo assim, falhou. Voltou a viver porque foi escolhido para ser usado como um milagre ambulante.
O que posso aprender com isso? Que, de verdade, não tinha a ver com eles... nunca teve! Que no fundo, a única coisa que se pode fazer para "conseguir" o seu milagre (se é que podemos fazer algo para "conseguir" um milagre, ou em outras palavras, "merecê-lo") é manter-se no relacionamento direto com Deus. E não tem a ver com ter uma boa relação, porque por exemplo, Jonas tinha má vontade e era arrogante em relação aos ninivitas... bastava a fé de que Ele seria o suficiente, e isso os manteve, os salvou, os fez vencer.
Ao fim de tudo, penso que, de verdade, precisamos voltar sempre à base: crer que Deus fará o melhor sempre é a chave para ser guiado pelo vento do Espírito. Sem isso, vamos adiante quando é tempo de dar um passo atrás, nos mantemos parados quando já deveríamos ter ido, e andamos pra trás quando na verdade a oportunidade está em outra direção.
Isso me faz lembrar sobre a nuvem de Deus, sobre os ciclos, sobre como lidar com as emoções... mas isso já é um outro texto...

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