terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Desespero urgente pela Sua presença

Como os planos mudaram de uma hora para a outra, e as minhas férias pela Itália foram totalmente adiadas, e por causa de uma mudança em família eu tive que vir ao Brasil, acabou que nestes dias estou hospedada na casa da minha irmã mais velha. Ela mora atualmente sozinha, já que o filho mais velho mora em Londrina e o mais novo foi morar com o pai, então no apartamento de três quartos tem bastante espaço para os parentes que vem de fora se hospedarem (embora só eu mesma venha de fora pra ficar na casa dela).
Enfim, hoje acordei e dei de cara com o meu sobrinho na cozinha (que apareceu sem avisar ninguém), as oito e meia da manhã, lutando para fazer um arroz integral que certamente comemos com alegria porque não tivemos a preocupação de fazer mais tarde, mas definitivamente a cena me chamou atenção e eu parei pra conversar com ele. E do que seria um esbarrão sem pretensões surgiu uma conversa profunda e cheia de coisas para se pense dos dois lados.
Eu creio que para ele ficou a reflexão sobre perdão e decisões de relacionamento com a família. Mas pra mim ficou algo que eu sinceramente jamais esperava: o quanto a gente realmente não conhece as pessoas...
Não sei como fornecer muitos detalhes do papo, mas sei que falamos de muitas coisas, a um ponto em que entramos no mérito de como as coisas funcionam pelo mundo afora. E eu confesso que foi ao mesmo tempo muito esclarecedor, mas ao mesmo tempo bastante chocante. Falamos sobre pesquisas na Internet, sobre como existe sim um controle maior de conteúdo por aí (mesmo que velado para as massas), e no quanto vivemos hoje um misto do que os escritores Aldous Huxley e George Orwell descreveram em seus livros "Admirável mundo novo" (publicado em 1932) e "1984" (publicado em 1948) respectivamente. Ele não conhecia os livros, nunca tinha ouvido falar, mas conforme ele foi me descrevendo certas coisas, me lembrei de grandes partes do que estes escritores previram, como esquemas de controle de informação de massa, aprisionamento e controle de população pelo medo e pelo entretenimento... E acabamos caindo em um aspecto que não me surpreende mas que me enoja e me faz ver o quanto a maioria dos cristãos vive desconectada do mundo de dor e tristeza que existe por aí: a predileção de muitas pessoas por cultivar o terror das formas mais bizarras.
E eu fiquei pensando várias coisas... E a primeira delas é como as pessoas são surpreendentes e realmente não as conhecemos bem até chegarmos perto o suficiente para conhecer em profundidade, mas ao mesmo tempo, nos contaminarmos com algo de ruim que exista caso não estejamos bem resolvidos. A segunda foi que como cristãos nos envolvemos pouco nos estilos de vida mais diversos dos nossos. Obviamente que quando nos convertemos é natural que saiamos se alguns meios em que vivíamos anteriormente e por isso ficamos mais distantes mesmo de certas coisas, mas até que ponto nos distanciarmos sem volta não é só um benefício egoísta, visto que aquelas pessoas que estão envolvidas na vida imersa nos problemas mais diversos e mais delicados não terão acesso às Boas Novas se ninguém se aproximar deles? E como promover essa aproximação sem que essa realidade nos afete, e que nos possamos afetá-la em modo positivo?
Não tenho resposta para isso além da oração. Não saberia o que mais fazer além de procurar de modo até desesperado um relacionamento tão profundo com Deus que simplesmente pessoas com todos os tipos de necessidades surjam na minha vida e eu possa ser canal de amor e esperança para elas. Se eu for buscar essas coisas, sendo humana, serei tragada por desgraças das mais profundas, em um grau de degradação que é difícil de digerir. Mas se o meu relacionamento com Deus foi realmente genuíno, então o Espírito Santo se manifestará através de mim de modos inimagináveis e imprevisíveis aos olhos humanos, e o milagre dos céus que é a salvação verdadeira da alma humana vai acontecendo, já que as pessoas com sede de vida abundante vão começar a beber do rio de alegria e plenitude que fluirá de mim. Não tem outro jeito, não tem outra escolha: preciso desesperada e urgentemente do Senhor na minha vida, de modo novo e muito mais profundo do que nunca eu vivi. Preciso de um relacionamento tão vivo que assim como Paulo, não seja mais eu, mas Cristo vivendo através de mim. E não é Cristo quem precisa, sou eu. Sem isso, a vida não tem sentido, e todo e qualquer objetivo fica pequeno e vazio. Ajuda-me, Senhor! Muda o meu coração, e me coloca no peito um coração como o Teu. Traga aos meus ouvidos a Tua voz, e aos meus braços o Teu abraço. Que os meusabios expressem o Teu sorriso, e que a Tua luz seja irradiada através do meu olhar. Eu preciso disso, muito mais do que consigo explicar, mas muito menos do que sei que o Senhor compreende. Confio em Ti e sei que esse dia de hoje foi programado na Tua agenda, e eu não quero desperdiçá-lo. Dá-me a sabedoria necessária para avaliar cada desafio, mas cobre-me com o Teu senso de urgência pelas pessoas, de modo que minhas lágrimas, daqui em diante, sejam de alegria pelas Tuas bênçãos, ou de intercessão pelas reais necessidades do meu próximo. Ensina-me a amar assim como o Teu Filho Jesus nos amou, mesmo eu sendo humana e sabendo que não serei perfeita como Ele, mas me faz o mais parecida possível com Cristo, porque, no fim de tudo, o que realmente permanece é o Amor.

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