terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Escolher amar

Tenho certeza de que Deus quando definiu que devemos amar ao próximo como a nós mesmos Ele estava nos fazendo um favor muito maior do que podemos compreender... Nos relacionamentos, existem os dias bons, os dias ruins, os dias normais (aqueles que passam e não nos recordamos de como foram ou não), os dias terríveis e os dias sensacionais. Existem também os dias em que acontece tanta coisa que a gente demora pra entender como classificar, mas eu creio que ao final de um tempo, certamente chegaremos a uma dessas classificações. De uns tempos pra cá, tenho percebido como na verdade o que muda de um relacionamento para outro é a maneira que as duas pessoas envolvidas decidem encarar os acontecidos. Na verdade, estou convencida de que isso é muito mais importante do que cada fato ocorrido ao longo do período. "Como assim?" você pode me perguntar... E eu te dou alguns exemplos. Para ser mais correta, vou procurar falar apenas de mim, porque assim talvez eu não magoe ninguém e nem, confirmando a minha percepção, faça com que alguém possa infelizmente ter motivos para desanimar de ir adiante, mesmo que por alguns instantes, so por causa daquilo que vou compartilhar. Afinal de contas, num relacionamento, a responsabilidade é de ambos, mas individualmente, só podemos escolher aquilo que nós seremos e faremos, e isso sim pode, de algum modo, incentivar ao outro a ir além do que os fatos apresentam. O primeiro exemplo que me ocorre é um dia em, em véspera de sair de férias, meu chefe me pede para acompanhar a sua esposa ao hospital com a sua filha, já que ele tinha que viajar a trabalho e ela não poderia ir sozinha com a criança. Honestamente? Bom, primeiro que eu detesto hospitais, e evito a minha presença neles o máximo que posso. Fora disso, sou super molenga com problemas de saúde em geral, e no caso dela, a situação era triste: a interrupção involuntária de uma gestação. Em terceiro lugar, eu tinha mil coisas para resolver e o meu tempo era realmente limitado (e eu tinha provavelmente pelo menos uma dúzia de ideias mais interessantes de como passar aquele dia, considerando o que já citei). Mas... A favor do pedido que me foi feito, tinham duas coisas: a primeira é que verdadeiramente Deus tem me colocado no coração uma compaixão e um amor por esse casal que é até estranho... E a segunda é que embora eu não tenha inimigos (pelo menos não que eu saiba), esse é o tipo de ocorrência que eu não desejaria nem para alguém que eu odiasse... E por isso, aceitei o pedido e fui. Sabendo que andar entristecida pela situação não ajudaria em nada, eu procurei lidar de modo natural, e tentei focar na filhinha deles, e me aproximar das duas de modo que fosse possível passar com elas por aquele momento sem causar constrangimento e dor adicionais. Fomos ali, a moça passou pelos exames necessários, e por fim, eu vi que as coisas andaram melhor do que eu esperava, e eu tive a oportunidade de ver que nos momentos mais difíceis as pessoas recebem o Espírito Santo de Deus uma capacitação que transforma a bonequinha de porcelana mais frágil em um soldado de titanium, praticamente inquebrável (só para explicar, a impressão que eu tinha dela era que ela era muito mais frágil por conta de outras coisas muito menos sem importância, que no fim eu vi que a abalaram). Eu vi também que as vezes temos impressões estranhas sobre certas pessoas como pessoas simplesmente porque vivemos com elas em um contexto em que o lado pessoal não é ressaltado (eu confesso que achava o meu chefe bem sem coração e por conta de uma atitude que ele teve eu percebi que, na verdade, ele só realmente vê algumas coisas diferente de mim, e isso é normal). Ou seja, uma situação que poderia ser deprimente, ao final, me trouxe uma grande reflexão. Por outro lado, me lembro de uma outra situação, na qual eu insisti em querer e esperar de certas pessoas algo que elas simplesmente não podem dar, e isso me deixou realmente mal. Neste caso, eu precisava de ajuda prática para superar algumas dificuldades estruturais que se apresentaram, e quando pedi ajuda à comunidade na qual estou inserida, me frustrei, porque eu recebi muito menos ajuda do que eu realmente precisava em todos os sentidos, e isso me deixou magoada mesmo por alguns dias. Mas, como Deus é sempre bom, acabou que a ajuda veio de modos absolutamente inesperados, e por fim (como sempre) nada nos faltou, simplesmente porque Ele, como O bom Pai, não quer deixar os Seus filhos que O procuram desamparados. Qual dos dois ocorridos era pior? Certamente o primeiro. Qual dia foi o melhor? Pra mim, também o primeiro. O que mudou foi o olhar que Ele me deu sobre o que foi vivido. Mas você pode dizer: "bom, mas no primeiro caso, não era na sua família o problema!" e de fato não era mesmo... mas quantas vezes coisas ruins ou difíceis aconteceram conosco e por causa de uma decisão de enfrentar a coisa toda de modo mais sereno, no fim das contas, o dia pelo menos bom? Fé é a base, mas as atitudes são os tijolos que constroem uma vida mais em paz, mais cheia de aprendizados e coisas boas pra contar. Porque, como a própria Bíblia diz, a chuva cai sobre o justo e sobre o injusto... Depende de nós mesmos escolher se ficaremos parados em casa nos lamentando e esperando a chuva passar, se vamos sair de casa e tentaremos enfrentá-la com o que temos, se vamos deixar chover e, nos jogando na emoção, dançarmos enlouquecidos como se não houvesse amanhã, ou se vamos definir tirar proveito da situação e nos levantaremos para vender guarda-chuva. Cabe a nós escolher o que abraçar e o que transmitir no fim das contas, para Deus, para nós mesmos e para o próximo... amando-o e sendo surpreendidos pelo amor do Senhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário