Eu particularmente gosto muito de histórias. Mas sabe quais me encantam mais? Aquelas que sao relatos de coisas que realmente aconteceram, como documentários, filmes inspirados em histórias reais e making offs.
Desde criança, me lembro de querer em algum momento da vida, trabalhar no cinema. Curiosamente, naquela altura, eu não pensava em ser atriz, como a grande maioria das meninas... Eu queria participar da produção, e poder ver por trás das câmeras aquele montes de coisas fantásticas que vemos nas telonas.
Por isso, sempre que tenho oportunidade, escolho livros e filmes assim.
Recentemente, descobri uma série do Netflix justamente com making offs dos filmes da MK unha infância de Hollywood chamada "the movies that made us" (na tradução literal, os filmes que nos fizeram). E foi fantástico ver como as hoje histórias conhecidas como sucesso de bilheteria chegaram até esse patamar: em uma série de oito episódios, apenas um tinha um orçamento mediano para a época (os outros todos eram, surpreendentemente, de baixo orçamento). E claro, tiveram diversos percalços e desafios, que fizeram com que o filme quase não fosse feito.
O último episódio porém me tocou de modo especial: nele conta-se a história de Forrest Gump. Isso mesmo: aquele filme do rapaz que cresce e faz coisas inacreditáveis, apesar das suas limitações psicológicas, que nunca foram um empecilho para ele, simplesmente por causa do amor e da fé de sua mãe.
Mas, por mais tocante que seja a história contada nas telonas, quando vi o quanto de comprometimento e persistencia foram necessários para produzir o filme, fiquei chocada: a história é cheia de grandes reviravoltas e o filme quase não foi feito por pelo menos duas vezes.
Depois porém de muitos percalços e quase uma década desde a ideia inicial de trazer o grande personagem para as telas, o filme foi feito, e tornou-se um dos mais lucrativos da história do cinema, e até hoje é assistido e reconhecido como um grande sucesso.
Linda história, não? Bom... Sim, pelo empenho, e porque é um exemplo de como acreditar em nossos ideais e sonhos pode ser poderoso. O filme, depois de pronto, rendeu muitos Oscar à produção, direção e a Tom Hanks, o ator principal. Isso mudou a vida deles certamente. Mas, ao meu ver, esse não foi o maior legado do filme.
Gary Senise, o Tenente Dan, era "somente" um coadjuvante, e apesar da grande atuação, nunca foi premiado pela academia por sua participação nesse blockbuster. À propósito, a atuação convincente de Gary faz com que realmente acreditemos e sintamos o que é ser um homem independente, líder, acostumado com o realizar, passar a depender de outras pessoas para praticamente tudo, além de lidar com os horrores da guerra.
Para uma pessoa normal, como eu e você, a não premiação do Gary com um Oscar poderia ser a maior frustração dessa história. Mas não.
Nessa série, Gary conta no final que um dia ele recebeu um convite: a associação de veteranos de guerra gostaria de convidá-lo para uma homenagem.mal sabia Gary que através daquele papel, ele tinha tocado a fundo milhares de soldados que, como o seu personagem, enfrentavam as mesmas dificuldades, mas muitas vezes sem compreensão até ali. Gary foi, recebeu a sua homenagem, mas sua vida mudou: ele entendeu que, mais do que um prêmio humano, ele ganhou a oportunidade de tocar milhares de vidas, dando esperança e força, sendo exatamente o que ele é: um ator de Hollywood.
Depois daquele dia, Gary se envolveu com a associação, e posteriormente, criou uma fundação com seu nome, somente para ajudar a criar um plano de restauração para aqueles homens reais retratados na tela grande pelo Tenente Dan. E assim, ele ganhou um novo propósito de vida.
Quantas vezes me questiono como posso ser aquilo que nasci para ser, e ao mesmo tempo, cumprir o meu propósito de vida? Quantas vezes isso me pareceu tão distante, tão impossível, tão improvável, a não ser que eu me tornasse alguém muito maior do que eu sou?
Gary me ensinou que basta apenas fazermos o que sabemos fazer, e fazermos da melhor forma. Deus, na Sua infinita sabedoria, se ocupa de fazer o resto.
Nunca podemos desprezar os desdobramentos das "pequenas" coisas feitas dentro do propósito de Deus, mesmo que pareçam tão sem sentido. Tenente Dan está aí para nos mostrar isso...
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