segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Superação - Parte II

Nesse último final de semana conheci uma moça, mais ou menos da minha idade (claro que estou "puxando a sardinha para o meu lado") muito bonita, com um filho de quase dez anos, bonito, saudável, esperto, casada com um homem que, aos meus olhos, embora possa melhorar em alguns aspectos, é um homem bom.

Essa moça trabalha em uma empresa pública e está agora prestando vestibular novamente. Quando casou-se, com dezoito anos, seu marido, então com quase quinze anos a mais, foi convencendo-a a deixar a sua vida até então para trás: ela era amazona de competição, premiada com troféus por seu desempenho e tinha o sonho de estudar veterinária. Chegou a prestar vestibular mas, com o tempo, a faculdade se perdeu, seus sonhos foram ficando de lado, e ela, que antes dirigia, trabalhava e estudava, passou a ser cada vez mais apenas uma dona de casa (um aparte aqui: nenhum demérito às donas de casa, por favor, mas uma mulher que tinha tanto pela frente abrir mão disso por conta da vontade do marido, tendo tantas oportunidades e talentos, definitivamente não é a minha escolha) deixando de lado todos os outros talentos que ela ganhou durante a sua infância e adolescência.

Ela viveu essa história por oito anos e, quando acabou (ele decidiu partir), ela ficou doente e não pôde mais cuidar do seu filho, que passou a morar com a avó paterna (com quem mora até hoje).

Só que, num dado momento depois disso, não sei direito como, Deus entrou na vida dela e mudou aquilo que parecia sem razão, sem futuro e sem sentido. Claro que, no caso dela, o processo de recuperação foi lento mas ela retomou seus sonhos, voltou a trabalhar, a dirigir e agora está retomando os seus estudos.

O filho mora ainda com a avó (que diz a família que cuida muito bem do garoto, e de fato ele aparenta ser bem cuidado) mas acredito que, com o tempo, algumas coisas a mais ainda podem mudar.

Apesar da história de dor (pouparei os detalhes aqui) ela, com a graça de Deus, foi se recuperando até que conheceu o seu esposo atual e entrou para a família em que eu a conheci.
Interessante que ela é de uma doçura ímpar: seu rosto ilumina o ambiente e, embora o seu sorriso não seja tão frequente quanto eu imaginaria, é cativante. Ela ainda é bonita e, sendo uma moça alta, chama bastante atenção.

Nada de mais nessa história toda, não é mesmo? Afinal, ouvimos falar de histórias assim o tempo todo. Seria mesmo uma história bem comum se não fosse por um detalhe: ela é surda de nascença e nunca ouviu um som sequer. Ela usa aparelhos auditivos para sentir as vibrações e faz leitura labial e é assim que ela se comunica (além é claro de fazê-lo por escrito).

Ela chegou a me dizer que a vida dela é "uma solidão silenciosa" e eu fiquei pensando que eu, que estou enfrentando eventualmente alguns problemas auditivos, não tenho mesmo com o que me abalar. Fora isso fiquei imaginando como será que é viver uma vida sem som, sem música... é como se a vida não tivesse uma parte (pelo menos para mim boa parte da minha vida estaria faltando).

E aí eu, ao conhecê-la, fiquei pensando no quanto sou abençoada porque tenho a oportunidade de conhecer pessoas que, para mim, são exemplo de superação e porque o Senhor me abençoa tanto e eu não sou grata por tudo que Ele me concede

Senhor, ensina-me a ver o quanto sou abençoada, o quanto de fato o Senhor tem me amado desde sempre e mostrar aos outros o quanto também são abençoados mesmo achando que não tem o que necessitam (na verdade, acredito que algumas pessoas como eu, de vez em quando, tem dificuldades de entender a diferença entre os verbos "necessitar" e "desejar") e mais, me ensina a ter a fé e a força dessas pessoas que, para mim, são um exemplo de superação.

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