terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Uma vida sem "pelo menos"


Entendi uma coisa nos últimos dias: Deus não criou ninguém para que essa pessoa tenha uma vida pela metade. Quando Cristo diz em João 10:10 que o ladrão vem para matar, roubar e destruir mas Ele vem para que tenhamos vida e vida em abundância, o significado escapa muitas vezes por entre os dedos de nossas mãos. E isso aconteceu comigo muitas vezes até agora... mas só até agora.

Na semana passada (não escrevi antes porque tanta coisa aconteceu nos últimos dias que não consegui escrever nada desde a última quarta ou quinta-feira) eu estava ouvindo um louvor e trabalhando em um dia à tarde. Nem sei dizer direito como foi que isso aconteceu mas, sei que em um dado momento, ao parar para pensar em alguma coisa relacionada ao meu trabalho, de repente, fui invadida por este pensamento de que Cristo nos libertou para a liberdade e que cabe a nós mantermo-nos livres. Ok, muito vago... vou tentar explicar melhor: estava eu pensando em algo não relacionado à minha vida pessoal; em um determinado momento, pensei em algumas coisas que tenho visto ao meu redor e percebi que novamente tinha caído de novo no mesmo ponto em que a minha vida estava em uma situação onde eu via um montes de pequenas coisas que eu não queria mas, que no fim, eu as aceitava porque pelo menos tinha uma coisa que valia a pena em toda aquela situação.

Sim, é verdade, a vida não é um mar de rosas e Jesus mesmo nos disse que teríamos aflições e que não deveríamos desistir porque Ele, como o nosso maior e primeiro exemplo, venceu o mundo e por isso poderíamos (e podemos) crer que é possível vencermos também. Mas, embora não seja um mar de rosas, não precisamos nos contentar com um mar de espinhos só para termos pelo menos uma pétala.

Na realidade, o que percebi foi que tenho vivido os últimos quase vinte anos de situações e condições de "pelo menos". Por exemplo: eu preciso fazer exercícios, eu sei que tenho essa necessidade e ela não é puramente relacionada à estética (muito antes disso tem questões de saúde ligadas a isso), eu tenho condições financeiras para isso e até fiz a minha inscrição na academia mas, por falta de organização minha ainda não tenho feito a coisa da maneira correta. E aí, fico com o tal "prêmio de consolação" dizendo para mim mesma: "ah, mas pelo menos, eu já me inscrevi", como se fazer a matrícula melhorasse o meu condicionamento físico mesmo que apenas um pouquinho... e não me deixasse na pior situação que é pagar (ou seja, ter o custo) e não cursas (ou seja, não ter os benefícios da prática)... e nem posso comemorar que não sinto dor porque é exatamente para me livrar dela que tenho que fazer academia.... ou seja, o pior dos cenários travestido de "pelo menos"...

Então me dei conta de que tenho vivido de "pelo menos" há vários anos... e não estou me referindo à coisas com as quais tenho que realmente lidar sem outra alternativa, ou coisas que precisam ser melhoradas mas que já foram piores e estão gradualmente melhorando... pelo contrário: são situações que já foram muito boas (algumas excelentes) e aos poucos, porque eu abri concessões à coisas erradas, elas foram se deteriorando por minha causa e eu, para não encerrar o assunto de uma vez (porque cá para nós certas decisões doem demais) eu fico usando como desculpa o meu "pelo menos" sem considerar o outro e sem fazer o que é correto para todos os envolvidos.

Assim como no exemplo da academia, o tal "pelo menos" traz um conforto psicológico imediato e paliativo que parece funcionar mas que, parando para pensar só um pouquinho, vejo que é um gigantesco engano. E quando me dei conta disso, vi dezessete anos da minha vida passando pela minha mente em alguns segundos e uma série de ações errôneas minhas se repetindo e repetindo (por minha culpa, diga-se de passagem).

Não quero aqui fazer aquele discurso sofredor de que temos mesmo é que morrer de sangrar porque bonito é o sacrifício. Sim, Jesus morreu na cruz e Se sacrificou em meu lugar, mas definitivamente o sacrifício Dele foi por algo que valia a pena: vidas de seres humanos; segundas, terceiras, trigésimas nonas chances para nós miseráveis pecadores. O meu sacrifício nesse caso é apenas uma penitência de tolo: não traz nenhum resultado prático útil e ao mesmo tempo só piora a situação como um todo.

E pela primeira vez em anos permiti que Deus me mostrasse que eu precisava abrir mão daquilo que eu mais amo para que, ao invés de eu tornar com minhas escolhas erradas essa situação em um grande aborto, eu permita que Ele transforme essa situação em um grande nascimento de uma nova vida. Uma vida sem "pelo menos" e "tudo bem"; uma vida que dignifica o sacrifício Dele por mim e que vale a pena ser chamada de vida.

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